Read O Ano Sabático by João Tordo Online

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Depois de treze anos de vida desregrada no Québec, Hugo, um contrabaixista de jazz, decide tirar um «ano sabático» e regressar a Lisboa, onde espera reencontrar o equilíbrio junto da família. Porém, logo numa das primeiras noites, assiste ao concerto de Luís Stockman - um pianista que se tornou recentemente famoso -, e a almejada paz transforma-se no pior dos pesadelos: StDepois de treze anos de vida desregrada no Québec, Hugo, um contrabaixista de jazz, decide tirar um «ano sabático» e regressar a Lisboa, onde espera reencontrar o equilíbrio junto da família. Porém, logo numa das primeiras noites, assiste ao concerto de Luís Stockman - um pianista que se tornou recentemente famoso -, e a almejada paz transforma-se no pior dos pesadelos: Stockman toca um tema inédito que Hugo conhece bem demais, pois é o mesmo que vem escrevendo há anos na sua cabeça... Quando o começam a confundir na rua com o pianista - e a própria mãe lança a dúvida sobre a sua identidade -, Hugo encetará uma busca obsessiva da verdade e do seu duplo, entrando num labirinto de memórias e contradições que o conduzirá a um destino muito mais funesto do que imaginara ao deixar Montreal.É nessa mesma cidade que Stockman desaparecerá, curiosamente, mais tarde, segundo nos conta o seu melhor amigo - o narrador deste romance - a quem cabe agora desmontar os acontecimentos, destrinçar fantasia e realidade e enfrentar as assustadoras e macabras coincidências que unem, como num espelho, a vida dos dois músicos.«O Ano Sabático», construído em crescendo e com páginas de tirar literalmente o fôlego, é um magnífico romance sobre a identidade e o outro, mas também sobre o amor fraternal e a amizade que perdura mesmo quando tudo o resto parece ter ruído....

Title : O Ano Sabático
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ISBN : 9789722051491
Format Type : Paperback
Number of Pages : 208 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

O Ano Sabático Reviews

  • Joana Esteves
    2019-01-07 12:20

    Foi a minha verdadeira estreia com João Tordo (digo verdadeira porque já tinha lido um pequeno conto dele) e confesso que ia um pouco a medo, não por achar que não ia gostar, mas por receio que estivesse com as expectativas muito elevadas. Não podia estar mais enganada...! Fiquei presa ao livro desde a primeira página, não tanto pela história - apesar de também ter gostado! - mas sobretudo pela escrita e pela capacidade do autor de nos transportar para aqueles ambientes e para aqueles personagens. Um autor para continuar a ler, portanto.

  • Filipe Miguel
    2019-01-03 19:37

    O outro lado do espelhoNa primeira parte, João Tordo, guia-nos a síncope de contrabaixo, na segunda a ritmo de piano. Inicialmente somos regresso a casa, num voo Montreal - Lisboa, seguidamente invertemos a marcha e voltamos à partida. Voltamos diferentes, primeiro Hugo, depois Stockman.Entre eles, no ponto mais elevado do eixo onde pousa a elipse, perde-se a identidade, olhamo-nos ao espelho e confrontamo-nos com um drama clássico: o duplo. Ao som de colcheias, semibreves e sustenidos abandonamos um, seguimos outro. Fecha-se o ciclo."Dormiu alguns dias no chão. Não soube exactamente quantos. Uma vez que se deitou ao lado do contrabaixo, descobriu que aquele lugar lhe era mais confortável do que a cama."Nota: 4.0/5.0

  • Pedro Martins
    2019-01-01 19:39

    “Toda a ficção é largamente autobiográfica. Muita da autobiografia é ficção.” Diz-nos P.D. James e isto aplica-se à nova obra de João Tordo. Nascendo de uma altura singular da vida do autor, que pode ser comprovada no número de nove de março deste ano da Revista do Expresso, “O Ano Sabático” espraia-se na temática do duplo, na dúvida metafísica, e chega-se à frente como uma obra essencial na literatura portuguesa das últimas décadas. O próprio livro divide-se. Na primeira parte temos Hugo, contrabaixista radicado em Toronto, numa vida não de boémia mas de errância e incertezas, que decide retornar à metrópole portuguesa à procura do apaziguamento da sua precoce crise de meia-idade (ou infância, ou adolescência, ou maturidade, a verdade é que Hugo vive numa crise desde a sua nascença).Em vez da harmonia, (re)encontra o que, sempre lhe fugindo, o tornava incompleto e miserável. Na segunda parte temos Luís, pianista de recente sucesso, “que nascera sem o cancro da dúvida”, que é à imagem de Hugo, seu semelhante, partilhando parecenças físicas e encontrando-se num espectro de criação artística que não é dos mortais somente, que é próprio de cada um e do seu “espelho”.É esta a dúvida que assola a obra, o autor e parte de nós, mesmo que nunca o tenhamos pensado. Estaremos sozinhos na nossa originalidade ou haverá quem partilhe das mesmas idiossincrasias, dos mesmos pensamentos, das mesmas criações? Em concordância com isto mesmo, João Tordo molda uma obra que faz jus à sua capa, reflecte os momentos em que “a realidade se derrete numa espiral de pânico”, usa esporadicamente um humor negro que humaniza e corporiza as personagens que de outra maneira poderiam ser vistos como apenas autómatos tocadores de instrumentos pelo leitor mais desatento, nas raras secções em que a obra estagna.No geral e, especialmente, no final, Tordo deixa-nos a pensar. E não há sinal mais positivo que nos diga que estamos perante uma obra distinta.

  • Margaret
    2018-12-29 16:27

    Há escritores que utilizam uma “fórmula” para criarem as suas histórias e normalmente têm sucesso com a mesma - Dan Brown, Nora Roberts e José Rodrigues dos Santos, só para citar alguns. Há leitores que gostam de cenários previsíveis, dá-lhes segurança, mas, no meu caso, após o segundo livro de “vira o disco e toca o mesmo”, ponho o escritor de lado.Até agora, tenho considerado o João Tordo como um dos escritores portugueses contemporâneos mais interessantes. “O Bom Inverno” e “Hotel Memória” foram livros que me deixaram muito bem impressionada. Só que ao quinto livro, incluindo um “Anatomia dos Mártires” mediano, estou a descobrir que o João Tordo está a repetir uma fórmula que já me começa a cansar.Que fórmula? A do narrador/personagem principal macambúzio, desajustado na sociedade onde vive, à procura de algo que não sabe bem o que é e que, pelo caminho, vai “metendo nojo” e afastando todas as pessoas que poderiam gostar dele. Ao quinto livro, perdi a paciência com tanta aura negativa.A escrita continua a ser cuidada, muito agradável, mas já não consigo sentir qualquer entusiamo com as personagens que aparecem nos livros. Neste caso, um músico de Jazz falhado que, uma noite, ouve um pianista famoso a interpretar uma nova composição e fica “passado” quando repara que aquela música é a que ele tem estado a compor há algum tempo e que ainda não tinha transferido para a pauta. Assim começa uma “perseguição” doentia ao pianista famoso, que acaba por levar à previsível tragédia.Talvez tenha sido só uma fase e os novos livros de João Tordo tenham personagens diferentes. Mas, com toda a sinceridade, penso que vou dar um “descanso” ao autor nos próximos tempos.

  • Paula Viajar pela leitura
    2019-01-05 15:49

    Opinião:Este foi um livro cuja leitura me deixou pensativa por algum tempo depois de a terminar. E pensativa porquê??Porque li as primeiras 200 páginas sem sentir nada pelo personagem nem pelo enredo. Isto foi o que me aconteceu. O livro está muito bem escrito, mas ao longo da leitura comecei a pensar que não me prendia, parecia que lia de forma linear sempre à espera que algo acontecesse e nada acontecia de facto.Nas últimas 5 páginas, aconteceu o inesperado – agarrei-me ao livro, senti naquelas páginas o que não tinha sentido nas duzentas anteriores. Naquelas cinco páginas olhei a angústia, as dúvidas, os reencontros, as saudades e principalmente a falta de respostas para com aqueles personagens que ao longo da narrativa eu não havia sentido nada…O que quero dizer é que no fim, todo o romance começou a fazer sentido. Tive de reler algumas partes, pensar noutras para então captar a mensagem das palavras que compõem este livro .A história em si, fala de um músico de jazz - toca contrabaixo - que depois de algumas dificuldades como pessoa e como profissional decide tirar um ano sabático e ficar junto da família em Lisboa. Porém, ao invés de se organizar e de encontrar a sua paz interior, Hugo vai encontrar uma parte de si (o seu possível gémeo) que lhe multiplicará os problemas. Hugo passará a ser uma pessoa incompreendida pelos outros e até por si mesmo. O seu mundo começa a deixar de fazer sentido quando se sente traído, roubado e até abandonado por aqueles que mais ama.Este é um livro que trata na sua essência a música, das composições, da paixão e das frustrações que um músico pode sofrer por não conseguir atingir os seus objectivos ou simplesmente por não ser entendido pelos outros. Talvez também porque quem ama o que faz, muitas vezes, não se consiga fazer entender…O amor pelos instrumentos musicais está aqui também patente. O contrabaixo é aquele que adquire maior relevo, talvez porque João Tordo também toque este belo instrumento que se assemelha à figura feminina … há outro elemento que achei curioso e que tem a ver com a vida do autor - nesta história, a acção principal gira à volta de gémeos e João Tordo também é gémeo…No final tive a sensação de que esta foi uma história que o autor escreveu essencialmente para si e para os que partilham o gosto pela música, por esta arte que às vezes é estranha aos outros. Estranha não pelo facto dos outros não gostarem de música, mas por não estarem inteirados das barreiras que se colocam e que se estabelecem para quem inicia e tem pretensões de chegar mais longe. Sim, estou a falar de música neste caso concreto, mas também poderia estar a falar da escrita… dos novos autores… ou de muitas outras coisas mais, porque barreiras e obstáculos é o que não tem faltado ultimamente a quem quer vencer!

  • Lénia
    2019-01-13 16:46

    João Tordo é João Tordo. Para mim, que gosto mesmo muito da escrita dele, não há como não gostar de um livro. Este não é o melhor livro do autor. Demorou a agarrar-me. Não pela escrita em si, mas pelo tema - talvez demasiado filosófico para o que eu precisava neste momento. Depois agarrou-me e li a última metade de enfiada. Não consigo dizer muito acerca do livro sem dizer demasiado acerca da história... Gostei. Não amei. Angustiou-me, a espaços. Mexeu cá dentro. A imaginação do autor continua a ser um poço sem fundo e continua a surpreender-me. Vale a pena ler.

  • Nelson Zagalo
    2019-01-09 14:37

    Primeiro livro que leio de João Tordo, gostei. Não é uma obra brilhante, mas é interessante. Fluído e fácil de criar envolvimento. A escrita é boa, mas irritou-me alguma falta de edição. Não se aceita que se possam encontrar conjuntos de adjetivações repetidos ao longo do livro, e isso acontece pelo menos umas 3 ou 4 vezes. Em literatura, e tendo em conta a riqueza da língua é sinal de preguiça e desleixo.Em termos temáticos, não é propriamente algo muito inovador, sendo fácil encontrar vários clichés do fantástico, das ideias do duplo e da originalidade criativa, aqui e ali. Contudo revela uma abordagem interessante, com divisão do livro em duas partes, com apresentações de pontos de vista, sobre a mesma história, distintos. O pior acaba por sortir do facto do autor se ter deixado levar para um beco sem saída, e não ter conseguido dar um fechamento ao livro suficientemente compensador para o leitor. Não era fácil, mas os grandes escritores relembram-se a partir desta capacidade de dar a volta ao seu próprio texto.

  • Jorge
    2018-12-27 13:46

    "De vez em quando, abro a gaveta e olho para elas, só para me recordar de que, nesta vida, o absurdo reina em absoluto".Mais uma vez, sou consumido pela escrita intensa e vibrante do autor. João Tordo juntou, neste seu romance, tudo o quanto é dele é que tenho a sorte de ter vindo a acompanhar desde que li o seu "As Três Vidas". Incrível como, no dia de hoje, eu li de uma acentada dois terços do livro. Mais uma vez, a escrita exímia aliada a uma história que tem tanto de real como de cruel, faz com que se crie, dentro de nós, uma taquicardia que não pára até chegarmos as últimas palavras. Estou abismado e, ao mesmo tempo, maravilhado. Um livro realmente soberbo.

  • Raquel
    2019-01-01 12:31

    João Tordo tem o poder de nos horrorizar pela escrita, de nos fazer questionar tudo, sobretudo o que conhecemos e tomamos como garantido, através das suas personagens - sempre incompletas, sempre em busca de algo. É a terceira vez que me assombra, que me deixa com medo de que as minhas palavras não sejam suficientes para fazer justiça à grandiosidade da sua escrita. E não o são.Crítica em http://leiturasmarginais.blogspot.pt/2014/12/o-ano-sabatico-joao-tordo.html

  • Cathy
    2019-01-18 14:30

    Confesso que iniciei “O Ano Sabático” de João Tordo com expectativas elevadas. Já tinha lido há uns anos um livro deste autor que gostei bastante. Assim, em termos comparativos, senti-me insatisfeita com esta história. O livro é interessante, apesar das temáticas não serem novas. Já li alguns livros onde é abordado a existência de um duplo e a originalidade das ideias. Eu gostei particularmente da primeira parte desta história, acompanhamos Hugo que poderia encaixar no perfil do personagem doente com uma depressão psicótica. Para mim foi interessantíssimo ler sobre os seus delírios, nomeadamente o de difusão de pensamento, a sua dificuldade em criar relações funcionais (não é por acaso que acaba por se ligar mais ao sobrinho), os seus consumos excessivos… que culmina com o seu suicídio após um episódio de alucinação. Durante a primeira metade da história, eu pensei que este livro era sobre um personagem psicótico, onde está muito indefinido os limites do real e do delírio. Eu estava a adorar.No entanto, existe uma segunda parte, onde se foca a atenção no duplo de Hugo (Stockman), um personagem criado quase como sendo o oposto de Hugo, mas que procura o mesmo na vida. Tenho grandes dificuldades em compreender o objetivo do autor com a direção da narrativa. Existe uma sugestão de componente mágico que não é concretizada. E, honestamente, pareceu-me que o fim foi muito pouco recompensador. Por fim, queria apenas referir, que existe uma passagem onde Mateus, o sobrinho de Hugo, lhe pede um gelado quente. Achei delicioso, pois eu quando era criança fiz exatamente o mesmo pedido ao meu pai. Tendo-se se seguido uma birra e acabado com o me pai a comer o gelado à minha frente.

  • Tiago
    2018-12-21 17:42

    Nunca escrevi um livro tão verdadeiro que fosse tão verdadeiro como este, nem que exigisse tanto de mim" - uma afirmação falsa, é claro, por um narrador inventado. Ou será que é verdade só porque João Tordo a imaginou?A narrativa parece ser uma apropriação de "Eu e o outro" de Jorge Luis Borges. Porém, a premissa que parece influenciar as três perspetivas (Hugo, Stockman e narrador "T"), de que se trata de um caso de imitação, de gémeos em tudo iguais (o que é impossível, como é claro), não me parece ser plausível para sustentar o romance. O único argumento possível, portanto, é o apelo à verdade relativa - «meia dúzia de páginas manuscritas perfeitamente alinhadas» ou meia dúzia de páginas caoticamente rabiscadas». É uma história que ainda não entendia e talvez não viesse a entender", diz-nos o narrador "T" e "Não sei. É tudo muito confuso e estúpido", diz-nos Júlia. Por isso é que a elipse final e o "desaparecimento" parecem-me ser demasiado forçados. Antes de ler a 2ª parte, acreditava que Dulcineia era uma personagem demasiado personagem para o ano de 2012 (empregada doméstica jovem bonita provinciana - mais parece vir da Lisboa de meados do século...). Contudo, não posso criticar o que se pode dizer ser uma personagem arttificial criada por um narrador, criado por um autor, que comete erros, talvez para ser credível.Na 2ª parte, não compreendo como é que a atitude objetiva e sincera do narrador permite a existência de diálogo entre Stockman e Catherine. terá Stockman escrito isso no e-mail? Ou será outra reconstituição "verosímil" do narrador "T"?

  • Graciosa Reis
    2018-12-21 15:33

    Os livros que já li do João Tordo levam-me a refletir, por vezes, de forma extremamente violenta, sobre a vida e o ser humano. Este não foge à regra e estamos, perante um homem, músico, contrabaixista, que atravessa um período difícil e que assim decide regressar a Lisboa, para junto da família na tentativa de encontrar algo que o inquieta e que o impede de concluir uma melodia...Lê-se bem, no início parece que não avança muito, mas no fim acaba por nos agarrar.

  • Fátima
    2018-12-29 13:45

    Muito bem escrito como tudo o que li de João Tordo, mas ao contrário dos outros 2 livros dele que li (o bom inverno e as três vidas) não me prendeu, excepto ocasionalmente. Talvez eu esteja a precisar de algo menos filosófico nestes tempos de verão. Não o tendo lido com paixão, terei que dar menos estrelinhas que aos outros dois...

  • Catarina
    2019-01-05 14:49

    Face aos vários livros que já li do João Tordo, este apresenta uns contornos diferentes na história cruzada de um contrabaixista, um pianista e um escritor. O livro está, como sempre, muito bem escrito e apesar de achar que o livro não é daqueles que "prende" logo a atenção, desperta uma curiosidade bastante grande. Aconselho.

  • Leonor
    2018-12-25 12:49

    Foi o primeiro livro do autor que li e adorei :) descobri por meio de uma entrevista no blog branmorrighan e fiquei curiosa! Espero ler mais livros do autor no futuro!

  • Margarida Guerra
    2019-01-06 14:48

    Beyond the story, I found this book expertly well written. I will definitely return to read it as well as other João Tordo's.

  • Miguel Nunes
    2019-01-13 18:33

    Opinião:http://oqueoslivrosmedizem.blogspot.p...

  • TJS
    2018-12-23 12:26

    This is a ghost story. Without giving away too much of the plot, the two protagonists are doppelgängers. Each knows of the other but, for different reasons, cannot fully connect to him. Both become ruinously obsessed with the other.There's also a narrator for part of the novel who may be João Tordo himself, and his descriptions pique one's interest (does he smoke; does he tire of his creative writing classes; does he sometimes lack for ideas and at other times struggle to complete his latest novel?).The doppelgänger effect is eerie. It has overtones of the movie "The Sixth Sense.""O Ano Sabático" is well-written and engrossing, typical of Tordo. Part of the novel takes place in Montreal, Quebec. Having lived in Montreal myself I'd point out a couple of mistakes: Côte-des-Neiges, not Côte-de-Neiges, and Saint-Sulpice, not Saint-Suplice. Maybe these minor errors can be corrected in a future printing or in e-editions.

  • Claudia
    2018-12-26 17:38

    Hugo está a passar por uma fase difícil. Não consegue criar, não consegue avançar e precisa urgentemente de encontrar um caminho. Decide partir de França com a ideia de passar um ano sabático junto da família em Portugal. Parte, instala-se na casa da sua irmã gémea, conhece o seu sobrinho Mateus, o cunhado e a empregada de ambos. Consigo leva apenas o contrabaixo Nutella. Ele está há anos a compor uma música que tem por nome Dulcineia mas não sabe como terminá-la.Numa ida a um concerto de um pianista conhecido e famoso, Luís Stockman, reconhece a melodia Dulcineia no meio de outras, a mesma música que vive na sua cabeça por terminar. Depois desse momento, Hugo quer saber como é que o famoso Luís Stockman sabe da existência da melodia na qual ele trabalha há anos.Este livro confunde, consegue juntar realidade e ficçao. Consegue tocar o nosso intimo. Ainda estou a digerir a história, ainda mantenho a história presente tendo terminado a leitura há há seis dias. Não consegui largar o livro, estava agarrada a ele quando tinha tempo livre. O personagem Hugo é complexo, angustiante e triste. Como os dias de inverno, em que não apetece ver ninguém. A história está dividida, primeiro Hugo, depois o escritor amigo de Luís Stockman. Pontos de vistas diferentes, talvez iguais.Este livro aborda de forma fria a história de um homem que nunca superou a morte do seu irmão gémeo horas depois de ter nascido. No final, fica um vazio. Comigo ficou. E com este último romance nasceu a necessidade de conhecer as outras obras de João Tordo.Ainda esta semana espero fazer um vídeo sobre o livro para o canal.O video http://www.youtube.com/watch?v=RI42bZ...

  • Cat
    2019-01-20 12:36

    Hugo é um contrabaixista que viveu cerca de treze anos em Montreal. Após esse tempo e achando que fracassou completamente na vida, decide regressar a Lisboa, indo viver com a irmã gémea, o cunhado e o filho pequeno destes. Hugo pretende, com a volta à sua cidade Natal, tirar um "ano sabático" e recuperar alguma da paz que nunca conseguiu ter durante a sua vida desregrada no Canadá. Mas durante um concerto de jazz, um pianista chamado Luís Stockman, de quem Hugo nunca ouviu falar mas que é bastante conhecido em terras lusas, toca exactamente a música que Hugo tem vindo a compor na sua cabeça há alguns anos. Hugo sai do concerto estupefacto, sem perceber como é possível um desconhecido ter conhecimento de algo que só ia na sua cabeça. Mais estupefacto fica quando as pessoas começam a confundi-lo com o mesmo pianista. Hugo entra então numa espiral obsessiva para tentar compreender quem é Luís Stockman e como teve acesso àquela música. Essa obssessão só pode ter consequências terríveis e poderá dar azo a outra obsessão semelhante.Confesso que não fica como um dos meus livros preferidos de João Tordo. Lê-se rapidamente, mas nem a história nem as personagens são propriamente cativantes. Não que o livro esteja mal escrito, mas não me consegui sentir entusiasmada. O tema dos duplos até é interessante e a forma como as coisas se desenrolam para Hugo e para Luís, o paralelismo existente nas duas partes que compõem o livro, também, mas não consegui envolver-me na história.Já agora, 'Nutella' deve ser um dos melhores nomes de sempre dados a um instrumento musical.

  • Vitor
    2019-01-15 17:21

    O Ano SabáticoVencido o esforço de remar contra a maré, um ano sabático representa a trégua derradeira, que um resquício de fé impõe ao desespero da derrota anunciada. Opor-se à corrente, torna-nos vulneráveis à força centrífuga com que o mundo se desfaz dos que contrariam a teimosa rotação dos dias. Regressar às origens, como cómodo recuo para o conhecido, em busca do conforto possível, é o grau máximo a que aspira um vencido.Contraponto e fuga por um contrabaixista que, por mais que se solte das tensas cordas de que se tece a teia familiar, mais agrilhoado se coloca, ante o vocativo enigma da sua clonal origem. O clímax desta opressão de sobreviver sob o impulso de um espírito partilhado por corpos distintos manifesta-se, dolorosamente, quando a viagem em busca de si termina na descoberta esmagadora do êxito e reconhecimento que escorrem de si para o outro eu, cuja tardia e inesperada descoberta condicionará o fio dos dias.O ajuste de contas, que se impõe, resume-se a uma renúncia trágica e covarde. "(...) a cada dia que passava sóbrio, começava a acreditar que algumas pessoas não eram feitas para lidar com o mundo no seu estado natural: que algumas pessoas só o conseguiam suportar distorcendo-o, nublando-o, observando-o do outro lado de um espelho." (pág 67). Ao contrário daqueles, vasta maioria, "(...)que hoje seriam, sem sombra de dúvida, animais domesticados pelo tempo" (pág. 65), a disfunção cumpre-se, impotente, como imposição do destino.

  • Jutta Ortlepp
    2019-01-05 13:39

    João Tordos erstes Buch in deutscher Übersetzung gibt sich vordergründig als Doppelgänger-Roman. Dieses Motiv wird auch formal eingehalten, der Roman gliedert sich folgerichtig in zwei Teile. Im ersten Teil geht es um den Musiker Hugo, der in Luis Stockman, ebenfalls Musiker, einen Doppelgänger, ja seinen totgeglaubten Zwillingsbruder zu erkennen glaubt. Ist es wahr? Im zweiten Teil berichtet scheinbar der Autor Tordo selbst, er schreibt über seinen Freund Luis Stockman, der nach Kenntnis von Hugos Schicksal, aus seinem Leben ausbricht und das des Doppelgängers, des Zwillings Hugo aufnimmt. Ist es Wahn?Tordo ist –abgesehen von etwas Länge im ersten Teil - ein spannender philosophischer Roman gelungen, denn es geht ja nur vordergründig um Hugo und Luis. Bei Tordas Buch handelt es sich vielmehr um einen Diskurs zum Thema Vereinzelung versus Verbundenheit und um das (vergebliche) Individualitätsstreben des Menschen.„ … Ich habe so viele Jahre lang das Falsche geglaubt. Dass wir Unikate sind. Dass wir einzigartig sind. ---- Doch wie fragil sind die Bande, die uns mit der Welt verbinden. An einem Tag glauben wir eine Identität, eine persönliche Note, eine Prägung zu besitzen. Am nächsten Tag, wenn ein paar dieser Bande wegfallen, es müssen nicht viele sein, sind wir der Kehricht der Geschichte.“

  • José Coelho
    2019-01-16 20:35

    Já li três livros de João Tordo. Todos no espaço de um ano. O primeiro em Setembro de 2012 o ultimo agora. É provável que leia os restantes num espaço igualmente curto. Porque deve ser neste momento o escritor português que mais me faz devorar um livro tão rapidamente e de forma tão imersa. "O Ano Sabático" é até agora o mais diferente de todos. É uma história que tem muito mais de autobiográfico que as restantes. Mesmo tendo conta que um escritor quando escreve se escreve a si mesmo e portanto tudo o que o escritor escreve é autobiográfico em certa medida. Este é mais que isso. Mais próprio, mais ele próprio. Para quem não conhece, Tordo teve um irmão gémeo aquando de nascença. E sem estragar qualquer prazer ou infringir as leis da surpresa da leitura de um livro (a serio! Detesto isso), penso ser essa uma razão que move o ultimo romance do autor. Mas mais do que isso. É um livro movido pela verdadeira amizade. A que nao se explica. A que tem começo sem explicação e fim com todas as possíveis. Apenas com a própria vida. Cessa ao mesmo tempo. E é um livro contagioso, misterioso (como é tão próprio de Tordo) mas imensamente humano e aterrador. No sentido melhor possível. Vai-me deixar a pensar durante largos tempos. Muito bom.

  • Carla
    2019-01-13 14:25

    O romance está muito bem conseguido, transmite de uma forma crua os sentimentos de todos os personagens, mas em especial de Hugo, o personagem principal. É impressionante como o autor consegue fazer passar através das suas palavras a angústia, tristeza e solidão daquele homem. Fantástico!Fui poupando o livro (lendo poucas páginas de cada vez) para que não acabasse tão depressa mas a escrita de Tordo é altamente viciante...e portanto acabei por ler quase metade do livri de uma assentada só! A história é fascinante e saber que se baseia em algo que aconteceu a um amigo do autor ainda a torna mais especial. É também uma homenagem à amizade verdadeira. Muito bom!

  • Monia Filipe
    2019-01-07 14:35

    Aconteceu-me o mesmo que sucedera com o ultimo livro de Tordo: demorou a agarrar-me. E a história em si, que não deixa de ser genial, o duplo, a decadência do eu em detrimento do outro eu, acaba por se assemelhar demasiado à temática utilizada exaustivamente por Paul Auster. Não me surpreendeu e estava à espera de o ser, como fui com Três Vidas, p. ex. Está, no entanto, muito bem escrito e João Tordo continua a ser, para mim, um dos nomes de referência da literatura portuguesa contemporânea.

  • Nuno
    2018-12-30 12:19

    Este livro revelou-se muito bom! Captivou-me do principio ao fim. Alias, foi difícil larga-lo!

  • João Silva
    2018-12-31 13:23

    Interessante jogo de espelhos, cortinas, sombras. Também consegui ver-me no outro que se encontra à minha frente...intrigante.

  • Dora Santos Marques
    2018-12-29 12:28

    Esperava mais porque após ter lido "As 3 Vidas" só esperava a excelência do João Tordo. Não é mau mas ficou um pouco aquém, na minha opinião...

  • Teresa
    2019-01-15 20:47

    Adorei! Aconselho vivamente.

  • Gonçalo Matos
    2019-01-17 12:22

    http://rodeadodelivros888.blogspot.pt...