Read Biografia Involuntária dos Amantes by João Tordo Online

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Numa estrada adormecida da Galiza, dois homens atropelam um javali. A visão do animal morto na estrada levará um deles — Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano de olhos azuis inquietos — a puxar o primeiro fio do novelo da sua vida. Instigado pelas confissões desconjuntadas do poeta, o seu companheiro de viagem — um professor universitário divorciado — irá tentar descobrirNuma estrada adormecida da Galiza, dois homens atropelam um javali. A visão do animal morto na estrada levará um deles — Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano de olhos azuis inquietos — a puxar o primeiro fio do novelo da sua vida. Instigado pelas confissões desconjuntadas do poeta, o seu companheiro de viagem — um professor universitário divorciado — irá tentar descobrir o que está por trás da persistente melancolia de Saldaña Paris. A viagem de descoberta começa com a leitura de um manuscrito da autoria da ex-mulher do mexicano, Teresa, que morreu há pouco tempo e marcou a vida do poeta como um ferro em brasa. O narrador não poderia adivinhar (porque nunca podemos saber as verdadeiras consequências dos nossos actos) que a leitura desse manuscrito teria o mesmo efeito sobre a sua vida.As páginas escritas por Teresa revelam a sua adolescência no seio de uma família portuguesa contaminada pela desilusão: um pai ausente e alcoólico, um tio aventureiro e misterioso, uma mãe demasiado protectora. Mas o que ressalta com maior vivacidade daquelas páginas é o relato enternecedor do seu primeiro amor, ao mesmo tempo que começam a insinuar-se na sua vida realidades grotescas e brutais. Confrontado pela primeira vez com a suspeita dessa terrível possibilidade, Saldaña Paris mergulha numa depressão profunda. Determinado em libertar o amigo do poder corrosivo do mal, o nosso narrador compõe então, peça a peça, a biografia involuntária dos dois amantes. Uma biografia que passa pelo desvelar do passado, para que este não contamine irremediavelmente o futuro....

Title : Biografia Involuntária dos Amantes
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ISBN : 9789896722593
Format Type : Paperback
Number of Pages : 415 Pages
Status : Available For Download
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Biografia Involuntária dos Amantes Reviews

  • João Carlos
    2018-12-21 18:31

    Estátua do poeta e romancista Rámon Mária del Valle-Inclán, na praça Méndez Núnez, Pontevedra, Galiza, Espanha“Biografia Involuntária dos Amantes” (2014) é o sétimo romance do escritor português João Tordo (n. 1975).“Biografia Involuntária dos Amantes” começa assim: “Juntos, matámos o javali.”. Estamos em Pontevedra, na AP-9, ao quilómetro 110, o narrador, professor de Língua e Literatura Inglesa, na Universidade de Santiago de Compostela, Galiza, Espanha e Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano, que vivera com Teresa, portuguesa, que nascera em Lisboa, recentemente falecida, vítima de um cancro fulminante, mas que deixou um manuscrito… Um manuscrito que é lido e relido, contado e recontado, com várias versões, numa investigação obsessiva efectuada pelo narrador, onde surgem inúmeras personagens, quase todas à beira da “loucura”, profundamente depressivas, com relações e relacionamento complexos, "anormais" e incoerentes (quer no contexto do romance, quer numa vivência “real”); destaco: três relações pedófilas (view spoiler)[(Teresa e o sindicalista Raul Cinzas, o narrador e Débora, amiga de Teresa, e Franquelim com a jovem canadiana Annabelle K.) (hide spoiler)]; uma relação, simultaneamente, pedófila e incestuosa (view spoiler)[(Teresa com o tio Franquelim) (hide spoiler)], dois assassinatos (view spoiler)[(um cometido pelo pai de Teresa, Faustino, e outro cometido pelo seu tio, Franquelim) (hide spoiler)]; com viagens por Lisboa, pela Galiza, Espanha (entre Vigo, Pontevedra e Santiago de Compostela), por Londres, pela Cidade do México e pelo Canadá (Mont-Tremblant), numa tentativa (incompreensível) de enquadrar e “relacionar” a “história” ou as “histórias” com as várias personagens; da problemática do consumo de droga e do alcoolismo; do contrabando de artigos electrónicos; e muito mais…A escrita de João Tordo é excelente, mas a “história” é um emaranhado de tramas e sub-tramas, sem um fio condutor “lógico”, onde diferentes sequências são apresentadas e descritas de uma forma atabalhoada e, totalmente, incoerente. Provavelmente, não era um livro para ser lido no feriado da "Imaculada Conceição". João Tordo (n. 1975)"O problema das palavras ... não é aquilo que podem ajudar a recordar. É aquilo que podem ajudar a destruir." (Pág. 102)“Chamo-me Teresa de Sousa Inútil. O segundo apelido é inventado. Esta história que vou contar é sobre o meu tio e é também sobre mim, embora os narradores muitas vezes se escondam atrás de outras pessoas…” (Pág. 109)“A imaginação é a chave que temos para manter a morte fechada no seu quarto escuro.” (Pág. 120)Praça da Quintana - Santiago de Compostela - Galiza - Espanha“Existem duas lendas em torno desta sombra…” (Pág. 150)A de um monge ou a de Léonard du Revenant (um peregrino francês do séc. XV)""Se podemos respeitar o que desconhecemos, também nos é fácil desrespeitar aquilo que deixa de ser para nós um mistério, como sucedera naquela noite.” (Pág. 152)“É assim que me sinto muitas vezes: como se nada fosse real e tudo fosse o simulacro de outra coisa qualquer.” (Pág. 170)“O mundo era assim, e eu nada podia fazer contra isso.Contra o quê?Contra essa coisa que me tinha apanhado por dentro, como uma mão que entra numa luva, e que me fazia querer desaparecer porque nada do que eu conhecia fazia sentido.O demo nunca ten sono.” (Pág. 187)“Esta felicidade tem um preço, porque a felicidade tem sempre um preço. Tornamos outra vez à mesma ideia: a existir um momento que define as nossas vidas, existe outro que as faz desmoronar com o estrépito de uma derrocada.” (Pág. 206)"Talvez fosse verdade. Talvez ele estivesse para lá da possibilidade do amor como os outros estão para lá da possibilidade da maldade ou da coragem, com a diferença de que se pode viver sem a maldade ou coragem, mas não se pode viver sem o amor." (Pág. 241)"Dedica-te a amar as coisas certas em vez das coisas erradas." (Pág. 244)Um postal com uma imagem - "Rooms by the Sea" (1951) de Edward Hopper"Vinha sem remetente, apenas com o símbolo dos correios de Espanha, e representava um quadro de Edward Hopper em que a porta de um quarto abria directamente para a água... Era uma imagem lindíssima e fiquei a observá-la durante muito tempo, interrogando-me sobre quem a teria enviado." (Pág. 284)"Permanecia entre nós o grito de velhos terrores; a constatação de que, ainda que as respostas fossem surgindo, a melancolia que era agora minha me mostrava que o mundo era feito de uma matéria porosa que se desfazia assim que a tentávamos tocar; que tudo aquilo que julgávamos sólido não passava de gelo, e que esse gelo, à luz morna que sempre transportávamos quando procurávamos respostas (como se carregássemos connosco uma lanterna permanentemente acesa), se derretia e se transformava em água; e que, por mais perfeita que fosse a concha que formávamos com as nossas mãos, essa água era impossível de suster." (Pág. 311 - 312)"Perguntei-me se era possível continuar a amar; se era possível, nesta minha existência mutilada, continuar a perseguir esta narrativa em que a mentira (ou o desamor) era o denominador comum que unia todas as personagens. Não se podia viver sem amor, isso era certo. Questionava-me, porém, se era possível viver com tanto ódio. E questionava-me qual seria a diferença entre os dois." (Pág. 312)"Se a juventude pode servir para enriquecer um homem, os erros e o temppo podem também servir para lhe tirar tudo." (Pág. 353)Pontevedra, Galiza, Espanha["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>

  • Susana Patricia
    2019-01-17 18:49

    Definitivamente é o melhor livro que li este ano.Sem pontas soltas, consistente, bem escrito e uma história que nos prende do inicio ao fim. Perfeito. "Que é feito de ti?"Encolhi os ombros. "Nunca mais me vi. Se me encontrares, avisa-me.""As pessoas perdem-se.""É verdade."Sorri "Existirá um momento que defina o resto da nossa vida?É uma questão estúpida e dotada de um enorme grau de hipocrisia, uma vez que se esse momento existir - (...) - é tão inútil perguntar por essa ínfima possibilidade como rezar a Deus para que aconteça. Aqueles a quem a sorte bafejou têm mãos a ingrata tarefa de explicar aos outros que esses momentos existem apenas para os que nunca se perguntaram por eles, ou seja o contrário do que estou a fazer neste instante. E se assim for, anulamos a possibilidade de uma teologia e entregamos a nossa vida às mãos do acaso, do impensado; da volatilidade a que somos condenados a partir do momento em que nos encontramos, sem qualquer razão plausível, neste mundo. Se o acaso impera, então nascemos por acidente, sem que nenhuma entidade divina nos projectasse; na ausência dessa entidade, o tal momento definidor das nossas vidas não pode ser procurado ou salvaguardado numa oração. Ao mesmo tempo, não existe qualquer teologia que nos aquiete. A que existe repousa na redundância: Deus criou-nos somente para regressarmos a Ele. Garante-nos a vida, mas não nos garante mais nada. E a vida é, por definição, uma caminhada absurda cujo final é sempre idêntico. Por que razão não nos deixou Deus em paz, ou seja, inexistentes? Nesta lógica incongruente, o Criador coloca-nos neste mundo à mercê de tudo o que é terreno, suculento e carnal, desafia-nos a experimentar e, no final, tira-nos tudo aquilo que nos deu. Reféns da teologia, somos uma piada de mau gosto; reféns do acaso, somos vítimas da ínfima possibilidade. Nesta miséria a que estamos votados, sentimo-nos incompletos e assaz melancólicos. A essa melancolia chamamos vida adulta." Obrigada @mady pela recomendação.

  • Sofia Teixeira
    2019-01-07 15:50

    Opinião: Existe todo um mundo dentro deste Biografia Involuntária dos Amantes. É o sétimo romance de João Tordo, mas o primeiro que me passa pelas mãos, e confesso que demorei algum tempo a digeri-lo, a tentar eu mesma aceitar tudo o que lia, a compreender o que não tinha lido e a tentar depreender o que nunca saberei. Acima de tudo, é uma obra de personagens atormentadas, em conflito com o seu passado e em negação com o seu presente. Existe uma necessidade fervorosa, uma obsessão retumbante em compreender os factos críticos cujas consequências se apresentam agora aos olhos do leitor."És como um aprendiz de violino: queres aprender e tocar na orquestra ao mesmo tempo."Obsessão, é essa a palavra-chave deste romance. Pelo menos para mim, para a minha interpretação, para o que me tocou. É certo que cada leitor cria a sua própria imagética do que lê, faz as suas suposições e certamente interpreta à sua própria maneira cada página que percorre. Sem conseguir explicar muito bem porquê, a leitura foi-me revoltando a cada virar de página. Não num mau sentido, mas no sentido em que a história, de si intimamente caótica, me parecia demasiado ordeira. Enquanto percorremos de mão dadas com o narrador, sempre sem nome, os seus desassossegos e os das pessoas que foram entrando na sua vida, assistimos também impávidos e impunes à tentativa de (in)justificar a compulsividade dos seus actos. "Acho que foi nesse instante que me senti apaixonado por Antonia. Num sentido puramente romântico: não a desejava; não a queria possuir como quisera possuir Débora, sem lhe ver o rosto e porque isso me permitia transgredir, perdendo-me e perdendo a noção de que transgredia. Senti que gostava de Antonia da mesma maneira que gostava de Saldaña Paris, ao intuir que tudo entre nós estava para lá da transgressão; que nada entre nós era refém do capricho ou do desejo."Sinto que existem tantos pontos por onde pegar, tanto por onde explorar. Temos este professor, narrador, sem nome, separado da mulher e de relação complicada com a filha que quando conhece o jovem poeta Saldaña Paris decide enveredar numa demanda impessoal, em prol do outro, mas que rapidamente se torna na sua razão de respirar. Teresa, a personagem chave e a que mais me atraiu, fosse pela sua adolescência, pela tentativa falhada de emancipação que levou a que toda a sua vida, a partir desse momento crucial, com um único acto, tomasse contornos irremediáveis, vinda de uma família disfuncional e cujo primeiro amor acaba por largar praticamente sem remorsos. "Tu és estranha.Eu sei."Saldaña Paris, que vive na ilusão de que Amor é aquilo que ele sente, que independentemente do que se possa ter passado, propositado ou não, não justifica deixar de amar alguém, que vale até a pena perder a própria vida, por esse... amor. Jaime Toledo, primeiro amor de Teresa, aquele que talvez a conheceu melhor que toda a gente, cujo papel diminuto acaba por ser ingrato. "Um dia acordamos esquecidos de nós e, no dia seguinte, andamos curvados no passeio à procura de coisas que não existem ou sentamo-nos a falar sozinhos nos cafés; esquecidos de nós e dos outros."Também é um livro feito de momentos. Momentos esses que os personagens desvalorizam, mas cujo impacto toma contornos irreparáveis, esquinas em que a vida toma outro rumo, muitas vezes assustador. Depois vem o arrependimento, o sentimento de que se devia ter agido de outra forma. Existe toda uma urgência em fechar o passado, em ser empático com o mesmo para se seguir em frente. Mas como o fazer? Até que ponto se deve ir para se conseguir essa redenção e essa paz consigo mesmo?"... O que me fez pensar no seguinte: que toda a ansiedade e angústia desta vida reside no facto de podermos escolher e, portanto, de nunca podermos saber se fizemos a escolha certa ou a escolha errada."É uma obra diferente, sombria, mas que enaltece a hombridade e o companheirismo, mesmo que juntamente com um sentimento de arrependimento enorme. Com o fechar da narrativa, existe esse concílio, essas tréguas com o que não pode ser mudado e com o que não deve ser trazido para o presente. Muitos vão detestar Teresa, muitos vão ter pena de Saldaña Paris, a maioria nem vai dar conta que o narrador é uma personagem activa, mas na minha memória ficou Jaime Toledo e a história que nunca aconteceu com Teresa. Uma escrita em bruta, honesta, mas funesta a maior parte das vezes. Resumindo:"O problema das palavras não é aquilo que podem ajudar a recordar. É aquilo que podem ajudar a destruir." 

  • David Pimenta
    2018-12-25 19:51

    João Tordo publicou o sétimo e mais recente romance, Biografia Involuntária dos Amantes, em abril de 2014 e não podia existir um melhor começo na editora Alfaguara. Trata-se de uma história, pode dizer-se involuntária, de dois amantes pela investigação obsessiva do protagonista. São personagens complexas, um enredo fugaz e uma leitura extremamente satisfatória.O mais recente romance de João Tordo, o primeiro publicado pela Alfaguara, começa com um acontecimento fora do vulgar: os protagonistas, um professor universitário – em que o leitor nunca sabe o nome – e Saldaña Paris atropelam um javali na estrada da Galiza. Ao matarem o animal, é dado o primeiro passo para o desenrolar da vida de cada um destes homens. O narrador, tornado num outro momento, o grande protagonista nesta história é um ser desmotivado com a própria vida. Com um cargo de professor na universidade, que não aprecia particularmente, uma separação e uma filha rebelde não consegue estabilizar-se emocionalmente.No início do enredo, a única actividade que o deixa satisfeito é o seu programa de rádio Dias Felizes, em que entrevista dezenas de personalidades de várias áreas. Dias Felizes para um homem que não carrega uma aura de felicidade à sua volta. Já o mexicano Saldaña Paris tem uma melancolia fora do vulgar, está colada a cada pedaço do seu corpo: nos olhos, na boca, na pele e, ao deixar o leitor entrar, nas suas atitudades e comportamentos.Biografia Involuntária dos Amantes é uma história à volta de uma sensação tão familiar às pessoas da sociedade atual: a obsessão. [...]Para ler o artigo de opinião completo no Espalha Factos: http://bit.ly/1sx6gLA

  • Cat
    2019-01-15 16:39

    Depois de já ter lido todos os romances de João Tordo, noto uma certa tendência em escrever sobre personagens que se embrenham em histórias obscuras, procurando entender mistérios que se atravessam na sua frente, ao ponto da obsessão. Nada contra, no entanto, até porque aprecio a escrita deste autor.Não consigo, no entanto, dar as cinco estrelas. É uma boa história sobre obsessão e amor, uma história triste e terrível ao mesmo tempo, mas que não me arrebatou. Li o livro em menos de vinte e quatro horas, porque se lê bastante bem (esta característica de João Tordo agrada-me bastante), a história não tem nada de aborrecida e porque posso (leia-se estou em repouso na cama, por causa da queda de Quinta Feira passada e o que não me falta é tempo para ler).Não sou capaz de precisar se gostei do que acabei de ler ou não, mas gostei que a história se passasse maioritariamente na Galiza e que aparecessem certas personagens dos outros livros do autor (é sempre interessante saber o que acontece às personagens depois de um livro acabar).Embora não considere esta Biografia involuntária dos amantes um livro cinco estrelas, não posso deixar de o recomendar. João Tordo continua a ser um dos meus autores portugueses preferidos.

  • Rita
    2018-12-31 19:48

    Opinião no blog:http://clarocomoaagua.blogs.sapo.pt/o...

  • Sónia
    2019-01-13 14:41

    Por uma qualquer razão, há livros em que a estória não nos diz assim tanto. Parece-me ser normal, tendo em conta o gosto pessoal, que cada um de nós se identifique mais com determinado tipo de narrativa e outros nem tanto. Foi mais ou menos o que me acontece com a minha estreia com o autor João Tordo.Se tivermos em conta que o protagonista tem uma vida remediada e que, mais que ninguém, está numa situação infortunada, talvez se estranhe todos os esforços que faz. Por outro lado, se atentarmos no verdadeiro sentido da palavra Amizade talvez não se ache o leitmotiv desta obra tão estranho assim. E é assim que me sinto, depois de ler terminado esta obra. Posso dizer, até, que estou de coração cheio. Pelo que referi atrás e por todos os sentimentos que este livro em si encerra. Um Livro extremamente bem escrito, intrigante, com passagens geniais, e que fazem com que as retenhamos para memória futura. Um Livro envolvente, grandioso, que convida a uma reflexão aprofundada. Tanto pela estória em si como pelas passagens que referi há pouco. Um Livro com uma escrita límpida, madura e que, estando apenas em Maio, é um dos melhores que li este ano. Obrigatório não perder!...P.S: A sucessiva repetição de "Um Livro" não é passível de um qualquer erro, mas sim propositada.

  • Raquel
    2018-12-22 21:37

    Já o considerava um dos autores mais promissores da literatura portuguesa. Com este romance, sei que é capaz de tudo: João Tordo é daqueles escritores que, por muitos livros bons que tenham, surpreendem sempre e conseguem sempre melhor nos seguintes. Podemos ter as expectativas muito elevadas, que ele consegue superá-las. Consegue ir ainda mais fundo, tocar-nos a alma e mostrar que a literatura pode levar-nos por caminhos que ainda não conhecíamos. E isso é maravilhoso.Crítica emhttp://leiturasmarginais.blogspot.pt/...

  • eliana
    2018-12-30 16:37

    "A melancolia é impossível de combater porque, a partir do momento em que nos aventuramos no mundo, teremos sempre saudades de tudo. De tudo. Do que fizemos e do que não fizemos, de quem se cruzou no nosso caminho e de quem jamais conseguiremos encontrar. Cuidar das plantas no nosso jardim é prolongar a existência a criaturas que hão-de morrer quando nos esquecermos delas; é querer fazer com que o amor dure mais tempo para, quando nos virmos livres desta vida de uma vez por todas, partirmos de coração a transbordar de tudo o que deixamos para trás."

  • Alexis Ahotep
    2018-12-28 15:28

    Uma revelação positiva esta minha primeira leitura de João Tordo. Um livro em que se detectam vários géneros literários, de prosa poética, romanesca e policial. Gentes atormentadas que buscam respostas que serenem e façam luz sobre as suas vidas. Amores e desamores, amizades inesperadamente redentoras, vazios pessoais, algum sexo sem receio de expressão. Aguçou o apetite para outros mais.

  • Miguel Tapada
    2019-01-12 21:26

    Livro brilhante! A busca de um sentido para a vida, a busca de uma redenção de um recomeço... Prende nos do princípio ao fim...como a frase de Samuel Becket no início ' to have been always what I am - and so changed from what I was'... Ou já quase a terminar: "Que é feito de ti? (...) nunca mais me vi. Se me encontrares , avisa -me.'"

  • Mario Rufino
    2019-01-02 20:46

    O meu texto sobre o livro:http://p3.publico.pt/cultura/livros/1...A minha entrevista com João Tordo: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp...

  • Ana Carvalheira
    2018-12-28 13:42

    Empatia. Não da forma como nos sentimos atraídos pelo outro mas da forma em que somos capazes de sentir a dor do outro tornando o nosso objetivo mitigá-la.É assim que se pode resumir esta história absolutamente enternecedora. Num resgate do passado, a personagem principal tenta montar as peças que lhe permitam compreendê-lo, em todas as suas dimensões, para oferecer ao amigo (um mexicano que tem a sensibilidade própria das almas poéticas sem, no entanto, ter criado os anti-corpos necessários à permanência neste mundo), uma verdade alterada (afinal, a mentira não é uma das verdades universais?). O enredo vai crescendo em tensão discursiva, atravessando o tempo e vários espaços através dos quais vamos acompanhando o desenrolar da narrativa. A multiplicidade das personagens - umas que cedo gostamos, outras que vamos adivinhando o seu caráter perigosamente narcisista - contribui para a excelência desta obra literária (incluindo o próprio alter ego do autor, a personagem de Jaime Toledo), à qual ficamos agarrados deste a morte do javali (o livro começa com o atropelamento do mamífero que dá o leit-motiv a toda a sequência dos acontecimentos).É um livro muito bem escrito que adota uma prosa ficcional, de intenso vigor criativo. "Um dia acordamos e julgamos que a pessoa que está à nossa frente é o fim, ou o final, ou a coisa certa, e que esse fim ou final ou coisa certa nos impedirá a morte, ou pelo menos, nos fará esquecer que o decorrer de cada dia é um suicídio sem vontade. No outro dia , acordamos e julgamos que a pessoa que está à nossa frente é o fim, ou o final ou a coisa errada e queremos aniquilá-la, removê-la das nossas vidas como um cirurgião remove um quisto e dele se descarta atirando-o para uma bandeja de metal, onde jaz esquecido até que alguém se lembre de o eliminar de vez, porque os rejeitados e os amantes não se suicidam, são antes assassinados e alguém tem de lhes fazer o óbito".Devia ser proibido a quem tem menos de 40 anos, escrever tão bem!Obrigada, João!

  • Isaura Pereira
    2019-01-18 18:50

    Este foi o primeiro livro que li de João Tordo. Fiquei curiosa com a sua escrita depois de várias opiniões e decidi arriscar. E fiz muito bem.Com uma história peculiar (é a palavra que melhor consigo descrever) foi um livro que não consegui parar de ler. Uma escrita sublime, capaz de captar os movimentos e descrições reais do dia-a-dia. É capaz de exprimir por palavras as emoções e sentimentos das personagens de uma forma muito real.Personagens ricas, com profundo desenvolvimento de carácter é um dos aspectos que mais me cativaram nesta história. Toda a narrativa tem tanto de cativante quanto de estranha.Sinto que consigo fazer jus à verdadeira essência da história, pois (não sei porquê), mas é difícil colocar por palavras o que senti ao ler este livro. Digo apenas que gostei muito.Quero e vou continuar a ler mais livros do João Tordo.

  • Maria
    2019-01-09 16:45

    Sétimo romance de João Tordo e segundo que leio do autor (o primeiro foi Anatomia dos Mártires), Biografia Involuntária dos Amantes foi um dos melhores livros lidos este ano.O atropelamento de um javali, em plena autoestrada quando o narrador, que nunca saberemos o nome, e Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano conhecido à pouco tempo, vão em direcção a Santiago de Compostela vai despoletar a história que está por detrás da tristeza do poeta mexicano.E a história, amorosa, vai trazer um segundo narrador, Teresa, uma personagem forte, um pouco leviana, e avançada de mais para um Portugal dos anos 80, num bairro lisboeta onde a pobreza e trabalhos clandestinos caminham de mão dada. Opinião completa: http://marcadordelivros.blogspot.pt/2...

  • Cristina
    2019-01-12 15:33

    João Tordo é, para mim, dos mais geniais escritores que conheço. Este é o 8º livro que leio dele e fico sempre rendida à sua originalidade na criação da história e na mestria da narrativa. Tem passagens deliciosas e de uma profundidade que nos enchem a alma. E depois há aquele mistério no romantismo melancólico que não se resiste.Obrigada, João, mais uma vez!

  • Fátima
    2018-12-25 20:48

    Joao Tordo alia uma boa escrita à capacidade de contar histórias de uma forma que nos prende do princípio ao fim. Ao fim de uns 4 livros noto uma grande consistência neste escritor. Também gosto da ideia de inadvertidamente irem surgindo personagens de outros livros como se ganhassem vida. Confirmadissimo no lote dos que considero muito bons escritores.

  • Jáder Santana
    2018-12-22 21:27

    Os personagens são bem construídos, fisgam o leitor. Queremos saber o que motivou suas ações e o que acontecerá a cada um deles.

  • Mady
    2019-01-15 18:34

    Sometimes it's not so much about what you write, but how you write. And João Tordo has it! With an easy to follow flow of words, he has us locked in his writing and he can tell us anything that we'll keep on reading!He starts on an unlikely point: a car where two men are travelling hits a boar on a Galician* road. This then triggers the Mexican occupant to start talking about his life, mentioning events he'd kept secret from his friend. And this is just the beginning of a journey for the Spanish university professor, the listener, while trying to find the missing pieces of his friend's narrative.And now I can't wait to read a book from Tordo with a story that I actually care about (though to be honest, he did manage to make me care for Saldana Paris, Teresa, Andrea and the narrator! This is the second book I read from him, a Portuguese writer that I'm now discovering.*Galician = from "Galicia", a Spanish region just North of Portugal

  • José Gomes
    2019-01-18 14:54

    Como vem sendo hábito na sua já bem composta bibliografia, João Tordo conduz-nos ao interior de homens sem luz. Numa incessante busca existencial, lembra-nos que a felicidade é um edifício de difícil construção, embora seja o único que vale a pena ser habitado. Na sua escrita escorreita, mas de grande profundidade existencial, o já vencedor do Prémio José Saramago cria uma atmosfera tensa e nublada, como tensas e plúmbeas são as vidas das suas personagens. No entanto, ao longo da obra, vai dando sinais de que há espaço para a esperança, embora seja um território muito apertado e difícil de distinguir do beco sem saída que é a vida comum das pessoas comuns. No final, percebemos que a felicidade pode permanecer inalcançável, mas a paz individual pode bem ser conquistada.

  • Dora Santos Marques
    2018-12-25 20:48

    A minha opinião em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=rJuOu...Estou muito desiludida com o Tordo e nos próximos tempos não volto a pegar nele.O primeiro livro que li foi "As Três Vidas" que adorei. Achei o melhor romance português que tinha lido até à data. Decidi que naquele dia iria ler tudo do João Tordo."OBom Inverno" desiludiu-me; "O Ano Sabático" a mesma coisa e este...este estava deserta para o terminar. Não me envolvi na história, para além da personagem principal, não criei empatia com mais nenhuma.Embora a escrita flua muito bem, não gostei mesmo da história.

  • Diana Costa
    2018-12-31 21:48

    Três dias passados para encontrar, depois de tanto tempo, uma companhia.Foi mais do que um amante e do que um livro.A mistura inteligente e viciante que conjuga uma história, o romance,apontamentos de filosofia e uma descrição impregnada de figuras de estilo, que tornam a leitura um prazer.Um escritor verdadeiramente escritor, que é capaz de, da simplicidade comum de um porra atingir um assaz rebuscado e culto à língua portuguesa.Recomendadissimo.

  • Lénia
    2019-01-07 19:49

    É perante livros como este que eu tenho pena que o GR não tenha uma opção secreta (reservada para livros de escritores maiores, mas absolutamente interdita a escritores de folhetim) que permitisse dar mais uma estrela - a da excelência inquestionável). João, brilhante. Seis estrelas.

  • Ana
    2018-12-26 13:53

    Perfeito, o melhor que já li de João Tordo!http://osabordosmeuslivros.blogspot.p...

  • Clara Raposo
    2019-01-04 20:29

    Bem escrito, como é habitual no João Tordo. É capaz de ser o meu favoritos dos escritores portugueses desta "nova geração" (que, coitados, também jia passaram os 40). Não é um livro para todos, mas agrada a quem gosta de livros silencioso com personagens densas e com muita reflexão introspectiva. A história em si tem contornos algo escabrosos, mas a qualidade da escrita, para mim, supera o facto de uma parte do que li ser conteúdo "desagradável".

  • Carolina Nobre
    2019-01-16 14:31

    Um livro absolutamente incrível, escrito numa linguagem crua mas ao mesmo tempo doce. Faz-nos querer saber sempre mais sobre as personagens e sobre a sua vida, na qual entramos e nos envolvemos de uma forma maravilhosa e, arrisco-me a dizer, empática.

  • Joana Vaz
    2019-01-01 20:50

    Uma trama que surpreende a cada instante, numa prosa poética que é uma delícia, e abordando temas que nos tocam.

  • Joana
    2019-01-20 13:30

    Maravilhoso. A simplicidade da vulnerabilidade humana.Um livro que prende.

  • Carolina Paiva
    2019-01-02 21:54

    Opinião já disponível no blog! :)http://hollyreader.blogs.sapo.pt