Read O Luto de Elias Gro by João Tordo Online

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Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um esNuma pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um escritor, cuja casa foi engolida pelo mar.O narrador, lacerado pelo passado, luta com os seus demónios no local que escolheu para se isolar: um farol abandonado, à mercê dos caprichos da natureza – e dos outros habitantes da ilha. Com o vagar com que mudam as estações, o homem vai, passo a passo, emergindo do seu esconderijo, fazendo o seu luto, e descobrindo, numa travessia de alegria e dor, a medida certa do amor.O luto de Elias Gro é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso....

Title : O Luto de Elias Gro
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Rating :
ISBN : 9789898775337
Format Type : Paperback
Number of Pages : 328 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

O Luto de Elias Gro Reviews

  • Claudia
    2019-01-16 17:14

    Já tenho resposta para a pergunta: qual foi o livro que mais te fez chorar na vida? Este livro é absolutamente maravilhoso. Não o consegui largar desde que comecei. E quando o comecei parece que ouvi: 'lê-me, chegou o nosso momento'. Os livros também nos escolhem. Sim, escolhem, tenho a certeza.

  • Lénia
    2019-01-02 18:06

    Dear GoodReads,Preciso de mais estrelas. Cinco, para este livro, são manifestamente insuficientes.Um tratado sobre a dor, a solidão e o amor que nos salva de nós mesmos. Uma história com tantas vidas dentro. Gente que carregarei comigo por muito tempo, que não esquecerei certamente.Sem dúvida, a mais bonita obra deste exímio malabarista de palavras.

  • João Carlos
    2019-01-09 13:06

    “O Luto de Elias Gro” (2015) é oitavo romance do escritor português João Tordo (n. 1975), primeiro volume de uma trilogia denominada “a trilogia da tristeza”, a que se segui a publicação de ”O Paraíso Segundo Lars D.”, em Novembro de 2015. O narrador, sem nome, refugia-se numa pequena ilha do Atlântico, não identificada, onde vivem menos de cem pessoas, numa insularidade dominada pela imensidão do mar, pelos ventos fortes, pelas nuvens e pelos nevoeiros intensos, numa fuga à “doença da separação”, associada, igualmente, à morte de uma filha, procurando no isolamento, físico e espiritual, um reencontro emocional e existencial, uma tentativa desesperada de reflexão e redenção sobre o passado, as “pequenas” e as “grandes” tragédias pessoais que martirizam os pensamentos e que condicionam a vivência e as acções quotidianas. ”O isolamento é uma doença dos nossos dias...E tanto é uma doença que, como em todos os estados patológicos, só encontramos alívio quando nos apercebemos de que, sem darmos por isso, perpetuámos essa condição porque é mais doloroso sair dela do que permanecer doente. A sanidade tem um preço.” (Pág. 69)O farol da pequena ilha, propriedade do alemão Heinrich, torna-se, inicialmente, o refúgio do narrador, local emblemático de clausura e solidão, de partida e regresso para as “longas” viagens, a pé ou de bicicleta, contactando e conhecendo um conjunto de personagens “secundárias”, que em determinados períodos se tornam “principais”, que ou estão “presentes” ou estão “ausentes”, como o padre, um pastor protestante, Elias Gro e a sua filha Cecília, com onze anos, a Alma Pedersen, separada de Heinrich, o Norbért, um velho que vagueia pela noite, e muitos outros; e alguns locais emblemáticos, como a Casa das Águas, último refúgio do escritor dinamarquês Lars Drosler, engolida pelo mar e a taberna, com o lindíssimo nome, “La Calme Avant la Tempête”, local de encontro e confraternização para conversas triviais e algumas revelações íntimas. A escrita de João Tordo é intensa e profunda, com um conjunto de personagens enigmáticas, com histórias para contar e segredos por desvendar, mas a articulação e o desenvolvimento das várias subtramas desgostou-me profundamente; (view spoiler)[começo por não entender porque é que o narrador e Cecília iniciam uma leitura conjunta dos diários de Lars Drosler, segredos e revelações que podem ser ou ter inúmeras e complexas interpretações para uma miúda de onze anos; mais tarde essa leitura termina abruptamente, sem nenhuma explicação; não entendo qual é o significado da "sequência" em que o narrador relata que ”O pescoço dela (Cecilia) cabia perfeitamente entre os meus dedos... Provavelmente conseguiria erguê-la no ar enquanto a miúda, debatendo-se, cravaria as suas mãos nas minhas, procurando libertar-se da força bruta que a dominava...” e depois conclui ”Eu sofria da mesma loucura... um surto homicida...” (Pág. 187); o “aparecimento” da pistola e as explicações associadas são confusas; as “revelações” de Lars Drosler em relação a Ole, a homossexualidade e pensamento de assassinar, são um pouco absurdas; e muito mais… (hide spoiler)]Até à pagina 128 "O Luto de Elias Gro" é excelente.Talvez com a leitura de ”O Paraíso Segundo Lars D.” encontre um sentido narrativo para as minhas dúvidas e interrogações… ["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>

  • Cat
    2018-12-27 12:14

    Um homem decide fugir para uma ilha algures no Atlântico e...João Tordo apresenta-nos uma história que me fez sorrir, rir, ficar com o coração bem apertadinho, e chorar. Impossível ficar indiferente.Completamente recomendado!Obrigada, João Tordo, por mais uma leitura fabulosa!

  • Maria
    2019-01-06 15:13

    Um homem em busca da solidão, da introspeção, viaja para uma ilha algures no atlântico. Porém, vai encontrar personagens inusitadas que lhe vão preencher os dias levando-o a descobrir a história daquela ilha."Um homem é refém dos seus sonhos até os pronunciar em voz alta."O luto de Elias Gro é o oitavo romance de João Tordo e completamente diferente dos que li anteriormente.O narrador é um homem completamente perdido no amor, que se entrega ao álcool para esquecer o passado. Mas depressa encontra uma rapariguinha de 11 anos, Cecília, que o faz conviver com as gentes da ilha, e que tem a particularidade de saber todos os ossos do corpo humano. Assim, estabelece relações com Elias Gro, pai de Cecília e pastor, um homem com um passado sombrio, com Alma, com o fantasma do poeta Lars Drosler, e com Norbert, um velho que tem o costume de passear de noite.Opinião completa: http://marcadordelivros.blogspot.pt/2...

  • Márcia Balsas
    2019-01-16 20:25

    O Luto de Elias Gro é o terceiro livro que leio do João Tordo, contudo é o primeiro que me consegue verdadeiramente maravilhar. Não me vou alongar. Não vale a pena, pois não será suficiente. Das frases perfeitas, às palavras escolhidas com engenho, passando pela habilidade das descrições completas e muito belas, que me falaram repletas de emoção, e que eu fui recebendo com prazer e espanto, na calma de cada página lida (e por vezes relida), assimilando o estranho sentido da dor de um homem que conta tudo menos o seu nome.Passagens sublimes sobre a solidão, sobre a necessidade de estar só, no silêncio, para ouvir o que tem de ser ouvido, no mais profundo de si.Eu comecei este livro três vezes. Por ter um início tão belo, eu quis repetir o entusiasmo da descoberta, senti que seria muito especial e guardei-o o tempo que pude. Pegava-lhe de vez em quando e sorria com o sofrimento da procrastinação, com o adiamento, com o desejo, com a certeza (que tinha sem saber porquê) que o leria ininterruptamente pelas páginas que o tempo e a vida me deixassem. E foi assim mesmo que o li, com a entrega que este livro merece.Termino este texto sentindo-me pequena. Sentindo que não produzi uma opinião válida, que não menciono lugares ou personagens, o como ou o porquê. E eu sou mesmo muito pequena ao pé deste livro. Mas no fim fiquei muito mais completa, porque senti um enriquecimento brutal como leitora depois de virar a última página.“Mas eu entendo-o. A incómoda presença dos outros nas nossas vidas. Às vezes é uma chatice ter de os aturar. Não vale a pena negar, há dias em que acordamos para estarmos longe das pessoas.” (Pág. 68);“Se os homens se definissem pelas suas profissões, não precisaríamos de nomes. Seríamos o engenheiro número trezentos e quinze e o padeiro seis milhões e meio. Basta que saibam que, dos vinte e dois aos quarenta anos, construí, na cidade, uma carreira de algum prestígio numa determinada profissão e que, a partir dos quarenta, abandonei a cidade e a carreira e fui viver para uma ilha ao largo de uma península, extensão de um continente que não era o meu.” (Pág. 78);“Escrever mantém-me sóbrio e ajuda-me a preservar a confiança neste caminho de que vos falei. Um homem é refém dos seus segredos até os pronunciar em voz alta; depois, devolvendo-os a Deus numa oração ou numa litania dos aflitos, eles rapidamente se revelam como aquilo que verdadeiramente são: criaturas invertebradas e informes que se escondem atrás do Medo.” (Pág. 151);“Prossegui pelo litoral enquanto a luz descobria a bainha do céu. Constatei que, embora no centro do meu peito existisse um buraco imenso, aquela liberdade dava-me prazer. Não tinha lugar aonde ir nem ninguém a quem prestar contas; não tinha casa nem família. A melancolia deixara de me incomodar, éramos velhos amigos e, a partir de certa altura, já nada se consertava. Pedalei durante algumas horas pela ilha. Ora a ritmo de uma marcha, ora esforçado numa ladeira; por vezes encontrava a tranquilidade de um terreno plano e deixava a bicicleta fazer o seu trabalho, aproveitando o embalo. Passei pelo farol, mas não me detive; era um lugar ensombrado, habitado pelos restos de uma civilização proscrita.” (Pág. 230);

  • Sofia Teixeira
    2018-12-29 15:29

    Opinião: Ser-se português implica carregar todo um legado emocional. Se é verdade que o sentimento saudade só tem palavra definida na nossa linguagem, também é verdade que existem pequenas particularidades que parecem ser encontradas só na nossa gente. A literatura portuguesa tem-se mostrado, nos grandes romancistas, recheada de uma profundidade que é raro encontrarmos na literatura estrangeira. Não falo de complexidades ou genialidades, falo antes de uma capacidade em explorar emoções e locais intrincados da mente humana no que toca ao relacionamento do eu consigo mesmo e do eu com os outros. Estreei-me na escrita de João Tordo com Biografia Involuntária dos Amantes e não demorei muito a aperceber-me que estava perante um escritor com essa capacidade. O luto de Elias Gro, embora num registo diferente, confirma esse talento nato, de alguém já amadurecido na escrita e capaz de enfrentar as suas próprias sombras."Parece que o lugar onde estamos nunca é suficientemente agradável. Deixa-me ver se acolá se está melhor. E, quando lá chegamos, percebemos afinal que a vida também estava a acontecer onde estávamos. Mas agora já estamos acolá e não podemos regressar, porque a vida também acontece acolá."Nesta obra vivemos histórias dentro de histórias. Temos o protagonista, que sendo já característica do autor não sabemos o seu nome, temos a sua vida comum anterior, a vida de Elias Gro na pequena ilha e ainda o retrocedimento nas memórias de um passado importante para Elias. No presente, procuramos o sentido para as acções do nosso narrador, que se procura a si mesmo. Pensa encontrar na solidão a paz que precisa, mas encontra antes uma série de tormentas que rapidamente tenta anestesiar com a bebida. É Cecilia, a filha de Elias, a única pessoa que o vai conseguindo despertar desse torpor e será também ela a causa do seu acordar."O que eu procurava era o esquecimento e, de repente, via-te em todo o lado. Minto, pois na verdade sentia-te em todo o lado."A narrativa de João Tordo tem tanto de silenciosa, de contacto directo com a alma, como de alarmante. Os compassos de espera, o desapego, a descoberta, a adrenalina e o amor estão muito bem conjugados, mas a componente fulcral é a perda. Aquele sentimento de impotência, de vazio, de desespero associado a uma terrível constatação de que o que foi já mais não será... E aprender a viver com isso. Uns isolam-se, outros perdem-se, outros tentam encontrar-se no meio de ambos. A inocência (que se perde a uma velocidade vertiginosa) de Cecília, marca de forma muita carinhosa esta obra. Alma não tem mãos a medir e Elias será sempre um enigma em muitas coisas. Cabe ao nosso personagem central decifrar o que quer de si e o que pode esperar dos outros."O intuito de abandonar estas ideias, de regenerar estes pensamentos (...) revela-se falhado. Quanto mais eu me remetia a mim próprio, julgando, dessa maneira, anular a influência do mundo, mais encontrava as raízes do meu desespero e mais era incapaz de sair dele. (...) Os pensamentos, como diabos à solta num quarto escuro e abafado, conduziam-me uma e outra vez à mesma conclusão, de que o homem transporta consigo o inferno, e que esse inferno não são os outros mas nós mesmos, quando entregues às nossas ideias mais acérrimas, às nossas intransigências mais cruéis, às nossas dúvidas mais corrosivas."Três excertos que tanto dizem, que tanto transmitem. E ainda assim são só uma gota no oceano que é O luto de Elias Gro. Estamos perante uma obra literária intensa, sofrida, íntima e, sinceramente, não esperava menos de João Tordo. Este talento exímio em escrever como ninguém sobre as zonas cinzentas do que somos, do que sentimos e de como nos enfrentamos. Uma leitura recomendada à cautela dos corações que já perderam muito, mas que ainda têm uma pequena chama que insiste em arder.

  • Isabel
    2019-01-07 18:28

    P. 19 - "Mais tarde, durante os meus passeios, repararia nas plantações imensas de girassóis que se abriam à luz e se fechavam quando a noite se punha; repararia nas nuvens brancas que, por vezes, voavam tão baixo que pareciam servir de chapéu àquele pedaço de terra; repararia que, do lado ocidental, numa encosta que conduzia aos casebres e esquifes dos pescadores, havia um cemitério onde os habitantes enterravam os seus; e repararia na igreja, embora essa fosse uma visão difícil, com a qual lutei durante muito tempo."P. 84 - "O reverso de uma incomensurável perda é a consciência dessa perda. E a consciência chega através da dor. A dor não costuma mentir; nesse sentido, é o que mais importa. Sem ela, passaríamos do sofrimento momentâneo ao esquecimento. No fundo, a dor é paz; um lugar intermédio onde finalmente entendemos que, por mais que se repitam os gestos hábeis de todos os dias, o que aconteceu nunca tornará, e todas as coisas - todas, sem excepção - se irão perder, uma de cada vez, devagarinho, sem que tenhamos tempo de as deter na vida ou de perguntar para onde vão.""O luto de Elias Gro" prima pela linguagem cuidada, poética. No entanto, no que respeita ao enredo, não nos são apresentados elementos que sejam novidade, que já não tenhamos lido: A busca da solidão para curar a dor através do isolamento num farol habitante de uma ilha... A descrença, os fantasmas que perseguem, as personagens que nos são apresentadas e cujos papéis são exactamente aqueles de que estamos à espera: o relato interior, a história de vida semelhante, a boa samaritana, a criança curiosa que terá um papel fundamental no desenrolar desta história, onde a redenção se alcança salvando...

  • Raquel
    2019-01-20 19:06

    As palavras são de Borges, mas descrevem na perfeição a essência do romance. escrita de João Tordo é feita de perdas, de descobertas, de buscas pela medida certa do amor. 'O Luto de Elias Gro' não é excepção, embora seja ainda mais interior, mais privado, do que qualquer um dos seus outros romances que já li. É um caminho que parece levar irrevogavelmente à decadência do ser humano, à perda de tudo, à desistência da vida, mas que ainda assim consegue encontrar-se com uma pequena luz de esperança.http://leiturasmarginais.blogspot.pt/...

  • Ana Carvalheira
    2018-12-30 18:16

    “O Luto de Elias Gro” é mais recente título da obra já numerosa de João Tordo, escritor prodígio da nova geração da literatura de ficção portuguesa. Narrado na primeira pessoa – desconhece-se o nome da personagem principal – a ação deste romance desenrola-se numa ilha do Atlântico, cujo toponímico também não nos é revelado pois foi “deliberadamente oculto”, segundo as palavras do autor, mas que se advinha minúscula já que nela viviam menos de cem pessoas e onde vamos encontrar um conjunto de personagens muito sui generis e característico de uma vivência profundamente insular corroborada pelas suas atitudes intrínsecas e comportamentos próprios. É uma história de perdas profundas, de fuga a uma realidade que só se quer negar, de tentativa da conquista da redenção que escapa, de solidão profunda, de tragédias pessoais e, claro, de inexoráveis lutos existenciais. E, a par de todos esses sentimentos e seus efeitos, tentar-se, a partir da máxima nietzschiana, sobreviver entendido como o ato de encontrar um sentido para o sofrimento. O que aconteceu àquele homem que, numa altura da vida, decidiu exilar-se no meio do quase nada, evitando todas as referências pessoais, civilizacionais, históricas que até então tinha conhecido, enclausurando-se no edifício de velho farol abandonado, enlouquecendo sozinho? “Quanto mais eu me remetia a mim próprio, julgando, dessa maneira, anular a influência do mundo, mais encontrava as raízes do meu desespero e mais era incapaz de sair dele (…). O homem transporta o inferno, e que esse inferno não são os outros mas nós mesmos, quando entregues às nossas ideias mais acérrimas, às nossas intransigências mais cruéis”. O que lhe teria causado a desconstrução mental, a desestruturação interior, uma apatia verdadeiramente patológica que o fez submergir num estado da mais completa abnegação por tudo e por todos, pelo menos por aqueles e aquilo que enformavam a banalidade do seu quotidiano? “O isolamento é uma doença dos nossos dias, disse ele. E tanto é uma doença que, como todos os estados patológicos, só encontramos alívio quando nos apercebemos de que, sem darmos por isso, perpetuamos essa condição porque é mais doloroso sair dela do que permanecer doente. A sanidade tem um preço”. Elias Gro, é uma espécie de pastor, patriarca, da ilha e a sua personalidade e a sua experiência de vida constituirão a pedra basilar para o entendimento de toda a narrativa. Tem uma filha, Cecília de 11 anos, que é capaz de ser a personagem mais interessante da história, inteligente, acutilante e corrosiva nas observações que profere e quem, aos poucos, vai-se imiscuindo no dia-a-dia do narrador até, ela própria, se tornar na sua própria remissão. É, pois, uma história de solidão e isolamento, de dor e angústia, de tentativa se não destruir, pelo menos mitigar, a corte de fantasmas que se abatera não só sobre a personagem principal … todos os que viviam, ou viveram na ilha, possuíam uma dor, uma perda, uma tragédia algo que lhes expugnara a existência, tornando-a francamente avassaladora. “Norbért tinha o coração partido, e partir de certa altura da vida, as coisas já não se consertam. Um dia acordamos contaminados pela melancolia; quando nos deitamos damos por ela ao nosso lado, aconchegando-nos as cobertas; e percebemos, então, que somos velhos amigos”. Outra personagem fundamental para a compreensão do enredo é a do escritor Lars Drosler, dinamarquês que, anos antes, decidira habitar a Casa das Águas (que acabaria por ser literalmente engolida pelo mar) e quem “marcou a vida dos poucos a quem permitiu intimidade”. Descoberta parte dos seus textos, depois de uma tentativa em recuperar o edifício submerso pela água, Cecília e o personagem decidem, numa leitura conjunta, abordar o espólio do autor dinamarquês, o que será profundamente revelador para a compreensão da personalidade de Elias Gro. É através da participação de um médico na narrativa, superego alucinogénio da personagem, que, aos poucos, vamos descortinando o valor da dor, a forma de crueldade de uma realidade dura, que terá contribuído para esse exílio do espírito e do corpo. “As pessoas são feitas de porcelana, concluiu. Lascam com facilidade, instigam em nós a urgência de não as deixar cair. Partem-se em pedaços se as largamos. Esses pedaços são inconsoláveis. É impossível tornarmos a juntá-los e, se o tentamos, ficaremos para sempre a observar as rachas que inadvertidamente lhes causamos, cicatrizes que não passam. Por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa”. Tão verdadeiro … No fundo, parece-me que Elias Gro, A., Alma, Norbert, Drosler, entre outros, constituem-se como verdadeiros alter egos da personagem principal, num rol de variados avatares que se vão desenhando nesta história de vida (s) - de dor, de sofrimento, de desilusão, de solidão mas também pungentemente arrebatadora na fé e esperança que despertam - e que este romance encerra.

  • Daniela Reis
    2019-01-13 16:22

    "As pessoas são feitas de porcelana, concluiu. Lascam com facilidade, instigam em nós a urgência de não as deixar cair. Partem-se em pedaços se as largarmos. Esses pedaços são inconsoláveis. É impossível tornarmos a juntá-los e, se o tentarmos, ficaremos para sempre a observar as rachas que inadvertidamente lhes causámos, cicatrizes que não passam. Por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa."http://menteliteraria.blogs.sapo.pt/b...

  • David Pimenta
    2019-01-03 15:09

    «Sei agora o que nunca soube – que o amor encontra o seu estado mais puro quando julgamos que o fim chegou (…)», assume o narrador do novo livro de João Tordo, um moribundo à procura de si mesmo numa linha sem nome e sem aparente localização geográfica.É de conhecimento geral que “O Luto de Elias Gro” (Companhia das Letras, 2015) é o bem-sucedido afastamento dos livros anteriores. Se as histórias criadas pelo escritor giravam em torno de um mistério, em que o protagonista encontrava o caminho através de algumas pistas, o narrador deste livro não procura a solução para um mistério colocado à sua frente, a acção não é estruturada para ser devorada por um leitor esfomeado (como o é “Três Vidas”, o vencedor do prémio literário José Saramago em 2009, ou “A Anatomia dos Mártires”, com a investigação de um jornalista pela lenda de Catarina Eufémia). Há, simplesmente, um homem cheio de mágoa, com os fantasmas do passado a atormentarem-no furiosamente.De forma a afugentar o terror do passado, o narrador decide ir viver para o farol de uma ilha, a alguns quilómetros da povoação mais próxima. «Diziam que nela viviam menos de cem pessoas e que, na época balnear, os turistas a visitavam em grupos muito pequenos», a solução ideal para o protagonista viver os seus dias isolado, sem contacto com o exterior e as pessoas. Um estado de vida para os que ambicionam ressacar as mágoas do passado. O ambiente carregado de cinzento povoa a ilha e acompanha os seus habitantes peculiares: Elias Gro, o pastor ambicioso e sonhador – especialmente com a reconstrução da casa afundada do escritor moribundo –, a imagem mais próxima de um líder; a bondosa Alma, a viver fechada em desgosto pela morte prematura da sua filha; a criança Cecília, peculiar e cheia de curiosidade, com um vício sobre os ossos do corpo humano e, através das leituras de cadernos guardados na casa de Elias, o escritor Lars Drosler. A partir do momento em que as várias personagens vão aparecendo no caminho do narrador – uma vez mais sem nome, os comportamentos e pensamentos bastam para o leitor desenhar o aspeto do narrador –, as várias histórias misturam-se na linha de acção deste Luto de Elias Gro. Uma mistura de histórias presente na maioria dos livros de João Tordo, uma marca já identificável nos livros anteriores do escritor.Crítica completa no Deus Me Livro: http://deusmelivro.com/critica/o-luto...

  • Reinaldo Lourenço
    2019-01-06 14:12

    Nao sei bem o que escrever sobre este livro... Ao inicio estava a gostar, depois ficou estranho,depois o personagem principal/narrador entra numa espiral de decadência humana e no final fica deprimente.Ainda assim gostei da escrita do autor, mas nao destronou o Afonso Cruz do meu top de preferências nacionais :)

  • Jorge
    2019-01-16 14:06

    Não consigo descrever toda a mão cheia de emoções que senti ao longo da leitura deste livro. Demorei a ler, porque é, de toda a obra de João Tordo, o mais filosófico e introspectivo. Todo o livro me deixou arrebatado de pensamentos e nostalgia e olhos aguados tal era a dor que, apesar de escrita, a podemos sentir em cada ponto final. É um livro sobre a dor, sobre como lidar com ela, e, claro, não há maneira certa de a enfrentar. Ela apenas existe e cabe-nos enfrentar da melhor maneira e da maneira que doa menos. A escrita de João Torno é assim mesmo: crua mas emotiva, poucas vezes hiperbolizada mas em todas as vezes tão real quanto o dia de hoje o é para todos nós. Um dos melhores livros dele, sem sombra de dúvida.

  • António Simões
    2019-01-08 13:22

    Grande livro, grande escritor, um romance sublime como há muito tempo não lia. Intimista, cheio de emoção, lida perfeitamente com a dor, o sofrimento, a fé, a esperança, de quem acha que perdeu tudo e já não tem salvação. No final descobre-se que com o devido apoio a salvação é possível. A vida é feita de amor e de quem se deixa amar.Parabéns João por esta magnífica obra.

  • Rosa Ramôa
    2019-01-11 20:22

    *****"Se tu morresses eu ficava triste.Porquê?Porque fazes parte da minha história.Alerta, a membrana rechaçou o sentimento, protegendo-me. Deixei que o corpo se afundasse no sofá e, mesmo que uma espécie de ternura suplicasse por se mostrar, num sorriso ou numa lágrima, limitei-me a resmungar palavras inaudíveis e continuei a ler".*****

  • Fátima
    2018-12-23 12:06

    Mais uma vez, muito bem escrito, mas não me consegui entusiasmar tanto como com o bom inverno ou as três vidas. Vão 3 estrelinhas que valem 3.5

  • Mónica Leirião
    2019-01-18 13:05

    envolvente, do principio ao fim (e a enorme vontade de ler o resto da trilogia)

  • Ricardo
    2019-01-09 16:31

    Magnífica escrita, esta de João Tordo. Cativou-me a forma de escrever do autor. Foi o primeiro livro que li de João Tordo e gostei bastante.A história é simples, muito simples, tão simples que se conseguiria contar numa única frase. No entanto, numa história simples, podem estar muito bem descritos detalhes de paisagem, de estados de espírito, e pensamentos. É este o caso.Não se espere encontrar um grande enredo nesta história. Apenas a beleza da escrita de João Tordo e a relação humana entre os personagens.

  • Natacha Martins
    2019-01-21 16:08

    O Luto de Elias Gro é o primeiro livro da "trilogia dos lugares sem nome". O primeiro lugar sem nome é uma pequena ilha no meio do Atlântico onde todos os seus habitantes são de certa forma peculiares. Alguns nasceram na ilha e nela viveram toda a sua vida, outros foram lá parar depois de algum acontecimento trágico nas suas vidas e por lá ficaram, lá viveram e morreram.O narrador, personagem sem nome, desta história é um dos que foi para a ilha à procura do natural isolamento que um farol desactivado lhe poderia trazer. Procurava um sítio onde não tivesse de falar com outras pessoas, onde ninguém o conhecesse e onde ninguém estivesse interessado em conhecê-lo. Queria liberdade para poder afogar todas as suas mágoas e enfrentar todos os seus demónios sem ser julgado.No entanto, nem todos os habitantes da ilha estão interessados em respeitar a vontade do novo inquilino do farol. O padre, que não é padre, Elias Gro, faz os possíveis para que ele se sinta acolhido, obrigando-o a participar na vida da pequena comunidade.É desta forma que conhece Cecília, a filha de Elias Gro. Cecília é uma menina de onze anos, muito perspicaz e inteligente, que cresceu muito sozinha na ilha, sem mais crianças para brincar, embora frequente a escola no continente. É uma miúda sedenta de atenção e parece encarar o mau humor do nosso narrador, que chega a ser ofensivo e violento com a pequena Cecília, como um desafio. Percebemos logo no início que ele gosta muito da miúda, que a acha peculiar no bom sentido e divertida. A presença de Cecília faz-lhe bem, mas também lhe traz lembranças do seu passado com as quais ainda não consegue lidar.Ao longo do livro vamos acompanhando o processo de luto do narrador. Vamos conhecendo o que o levou a procurar isolar-se do mundo, num farol perdido numa ilha perdida no meio do Atlântico. Descobrimos um homem que perdeu tudo e que não sabe lidar com isso. Refugia-se na bebida e torna-se uma pessoa desprezível. Quer afastar de si toda e qualquer manifestação de bondade, não se sente merecedor da compaixão dos outros. Quanto mais os habitantes da ilha o tentam incluir, mais ele os afasta. A única pessoa que parece conseguir, de alguma forma, criar brechas na barreira protectora que criou à sua volta, é Cecília.Todos naquela ilha têm problemas, todos eles conhecem a perda e vivem diariamente com ela e, todos têm diferentes maneiras de fazer o luto. Todos eles encontraram formas de continuar a viver depois da morte. O nosso narrador também vai acabar por sair do buraco escuro e fundo para onde foi quando a vida lhe pregou uma partida. A viagem não será fácil e levará algum tempo até que ele consiga ver para além da sua própria dor.Já há algum tempo que não lia João Tordo e confesso que me estava a fazer alguma falta. :)O Luto de Elias Gro é diferente do que tenho lido do João Tordo. Os anteriores estavam envoltos em mistério, em segredos por desvendar. Este é definitivamente mais introspectivo. Procura provocar em quem lê, alguma da dor, raiva, tristeza, angústia e impotência que o narrador sente nos diversos estágios do seu luto.Embora pareça e, de certa forma, seja um livro pesado, está escrito com algum sentido de humor que aligeira um pouco a atmosfera mais negra da história.Resumindo e baralhando, gostei da história e das personagens e gosto sobretudo da forma como João Tordo nos conta esta história.Só posso recomendar!Boas leituras! :)

  • Sara
    2019-01-09 14:27

    O Luto de Elias Gro é o primeiro livro de João Tordo que tenho na minha estante e também o primogénito de uma trilogia a que se segue O Paraíso Segundo Lars D. A história é-nos contada na primeira pessoa pelo narrador (de nome desconhecido, apelidado de Estrangeiro por Elias), que após a perda de uma filha e uma separação dolorosa decide refugiar-se na solidão de uma ilha perdida no Atlântico, para consigo mesmo sofrer a sua dor.Como descrito por muitos, João Tordo presenteia-nos desta vez com um romance intimista, repleto de sentimentalismo. Uma narrativa triste e angustiada, onde perda é a palavra mãe. Mais do que a história, este livro vive sobretudo das mensagens que transmite. A fuga como solução falhada para acalmar o sofrimento no peito de muitos. Quanto mais tentamos escapar dos fantasmas que nos assombram, mais eles se tornam cativos na carne e na mente, sedentos do desespero. “Os pensamentos, como diabos à solta num quarto escuro e abafado, conduziam-me uma e outra vez à mesma conclusão, de que o homem transporta consigo o inferno, e de que o inferno não são os outros, mas nós mesmos, quando entregues às nossas ideias mais acérrimas, às nossas intransigências mais cruéis, às nossas dúvidas mais corrosivas.”Um destaque para a importância das relações interpessoais na construção do carácter, bem patente na relação entre Elias Gro e Lars Drosler, e posteriormente na transformação observada no narrador. Um dos momentos que mais me cativou foi a leitura dos diários de Drosler pelo Estrangeiro e Cecília, não só pelo ambiente de intimidade que envolve essas descrições, mas pela oportunidade que Tordo nos dá de conhecer um pouco mais da misteriosa vida do escritor dinamarquês e senhor da Casa das Águas. Espero no segundo volume poder percorrer mais profundamente os subúrbios de Lars Drosler que, não tendo papel principal ou sequer presente fisicamente na história, foi a personagem sobre a qual acabou por recair a minha maior curiosidade de gato.E por fim, uma mensagem de esperança. Todos os habitantes daquela ilha de nenhures sofriam por si ou por alguém que perderam: Elias perdera os pais, o antigo faroleiro Felix que lhe apresentara a Deus, o estranho e quebrado Drosler, e a esposa Merete levada pela doença. Alma perdera a filha depois de um naufrágio. Nórbert perdera a sanidade mental e nunca voltara a encontra-la, tal como Bernard perdera a visão e o mundo a cores. Mas todos eles, com mais ou menos fé, mais ou menos crentes em Deus, sobreviveram aos contratempos. No fim, cedendo à aura espiritual de Elias Gro e aos pequenos gestos de fé e de amor de Cecília, também o narrador se junta ao grupo dos que aprenderam a adormecer a dor e a deixar o mundo girar segundo a vontade da Natureza e de Deus.O único aspecto que não me encheu as medidas neste O Luto de Elias Gro foi o desenvolvimento da história. Senti falta de conteúdo para lá da filosofia, de movimento e acção, assim como o final precisava de algo mais. Faltou-lhe presente, num livro feito de passados. Ainda assim, numa escrita terna que apela aos corações mais moles e que deixa sorrisos tristes na cara, João Tordo deixa nestas páginas a medida certa do amor, 3,5 estrelas neste caso, e uma vontade séria de rumar ao próximo volume.

  • Vânia Caldeira
    2019-01-21 13:28

    É um livro poderoso. Na dimensão que dá à humanidade em todas as suas vertentes: porque nós fala do sofrimento, da dor, da perda, do medo e inevitavelmente da fé. É um livro sobre a catarse de um homem após a perda e todo o processo de luto: repleto de apatia, desilusão, vontade de morrer, desejo da solidão. Na escrita tem a mestria a que o autor nos habituou noutros livros, mas distingue-se pela peculiaridade das personagens e pelas frases marcantes que são lições de vida. Temos Elias Gro, um padre com uma fé especial, um homem inspirador. A sua filha Cecília, que embora pequena, é responsável por grande parte das conclusões sobre a vida e a humanidade ao longo do livro. Temos Alma, cujo nome foi muitíssimo bem escolhido: uma mulher generosa, de coração cheio e sempre pronta a preencher os outros, a salvar alguém. E, por fim, a nossa companhia ao longo de toda a narrativa, o narrador desta história. Que é sua, mas também nossa e da humanidade. Um homem que chega à ilha amargurado, em conflito consigo próprio e com o mundo, e que algures neste caminha vai descobrir a esperança, uma certa forma de fé e a medida certa do amor. O meu livro favorito de João Tordo.

  • Rui Barbosa
    2019-01-13 13:33

    Uma excelente primeira metade do livro, uma segunda metade não tão boa e com final mais ou menos previsível. O bom de todo o livro é no entanto a bela escrita do João Tordo. Foi o primeiro livro que li dele, por conselho da minha mulher, e como apreciação final gostei bastante. Um livro que nos apresenta um olhar sobre o mais recôndito da mente humana quando tenta superar de um sofrimento violento. Fugir, reagir, ser submerso, afogar-se, matar-se, desistir de viver... tudo diferentes formas de reagir e por elas passamos quase todas.A fazer pensar nos diferentes sofrimentos do nosso próprio percurso e como reagimos nós próprios a essas realidades."Podemos tentar compreender tudo, e então falhamos e ficamos loucos.[...] O louco não é o homem que perdeu o juízo, mas sim o homem cujo juízo suplantou tudo o resto."

  • Maria Inês
    2019-01-03 13:06

    Gostei muito do livro! Este livro foi-me oferecido no meu aniversário pelo que foi a primeira vez que ouvi falar deste escritor e confesso que inicialmente estava com as minhas expectativas baixas. À medida que fui lendo o livro fui ficando entusiasmada e gostando cada vez mais tanto da história do livro como da forma de escrita que este escritor apresenta. É uma história magnífica sobre a vida, como cada um de nós lida com os momentos menos bons e sobre as pessoas que entram na nossa vida de cada um e que que nos ajudam nesses momentos. Foi esta a lição que retirei deste livro, sinto também que é daqueles livros que podemos ler várias vezes e que sempre que o lermos iremos retirar coisas novas. É um livro desafiante e entusiasmante.

  • Maria Gonçalves
    2018-12-28 12:15

    Mais do que um livro... Mais que um livro muito bem escrito com um enredo e um ritmo de acontecimentos extraordinários... Mais que tudo isso: uma ou as diversas reflexões de vida que conseguirmos identificar sob o que de mais profundo pode ser o nosso egoísmo, incluindo aquele egoísmo do qual não temos consciência e aquele cuja consciência do mesmo é deliberada e ainda conseguimos fundamentar. Motivos e razões para o isolamento ou para o niilismo, mesmo nos fundamentos e circunstâncias mais pessoais...? Restam poucos neste livro. Alíás, nenhuns.

  • Filomena Mourinho
    2018-12-22 13:04

    This story is simply amazing. I had never read anything by João Tordo, but after this I HAVE TO! Brought me a lot of insights about myself, my relationship with God, with life, with people. Definitely a book to read!

  • Ela
    2019-01-20 14:19

    João Tordo tem se tornado um dos meus escritores favoritos. Há muito sentimento nas suas palavras. Às vezes dá vontade de arrancar o coração do peito para lhe afagar um pouco. Não percam nenhum dos seus livros.

  • Filipa Gomes
    2018-12-30 12:20

    Denso. Muitas pausas feitas para assimilar cada estado de espírito, cada passagem a inferno purgatório e céu. Por vezes falta o ar e paramos. E no final quando fechamos o livro sentimos o quão brilhante é este autor.

  • Zé Carlos
    2019-01-16 19:25

    Romance de uma personagem só, triste, à procura da redenção. Texto muito bem escrito.

  • Ana
    2019-01-06 12:34

    Quando uma ilha acolhe um homem "em fuga" e conta com a mestria do João Tordo, dá nisto. Dá tristeza com esperança, realismo com magia e decadência com glória.Mas que bem, mas que bem...