Read As Três Vidas by João Tordo Online

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Que segredos rodeiam a vida de António Augusto Milhouse Pascal, um velho senhor que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e um rol de clientes tão abastados e influentes como perigosos e loucos? São estes mistérios que o narrador - um rapaz de família modesta - procurará desvendar durante mais de um quartoQue segredos rodeiam a vida de António Augusto Milhouse Pascal, um velho senhor que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e um rol de clientes tão abastados e influentes como perigosos e loucos? São estes mistérios que o narrador - um rapaz de família modesta - procurará desvendar durante mais de um quarto de século, não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por aquela estranha personagem se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida.Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - e cruzando a história sangrenta do século XX com a das suas personagens, As Três Vidas é, simultaneamente, uma viagem de autodescobertas através do «outro» e a história da paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Milhouse Pascal, e do destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do avô, inexoravelmente ligado à sorte de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da corda bamba em que se sustém....

Title : As Três Vidas
Author :
Rating :
ISBN : 9789896280857
Format Type : Hardcover
Number of Pages : 306 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

As Três Vidas Reviews

  • João Carlos
    2019-03-21 05:54

    Three Lives Bookstore - 154 West 10 St. - New York”A terceira vida começa hoje, e entro nela procurando aceitar a que ficará para trás. Se eu fosse um homem diferente, com mais imaginação, talvez pudesse acreditar – e fazer-vos acreditar – que os mistérios que perpassam esta narrativa irão, um dia, encontrar a sua resposta; estou convencido, contudo, de que muitas coisas permanecem eternamente veladas e, com o passar do tempo, aprendi a viver com esta resignação. Por vezes, claro, é impossível evitar os enigmas que me atormentam e dou por mim a falar sozinho, murmurando com as paredes, perguntando-me pelos rostos invisíveis que atravessam a minha vida como clarões, querendo saber, ansiando saber; e, ao desejar sarar as minhas feridas com a lógica absurda deste mundo que, a cada hora que passa, me parece mais distante, zombando dos espíritos que ousam desafia-lo, compreendendo a inutilidade desta empreitada.” (Pág. 400) ”As Três Vidas”, tem um narrador, sem nome, um jovem inteligente, originário de uma família com poucos recursos financeiros – a quem o pai morreu; e que vive com a sua mãe doente e uma irmã mais nova – que aceita trabalhar, como seu secretário particular, para António Augusto Millhouse Pascal, um homem idoso, enigmático, viveu em Espanha, Inglaterra e nos Estados Unidos da América, e que reside em reclusão numa quinta – a Quinta do Tempo – situada na costa alentejana, nos arredores de Santiago do Cacém, na companhia de três netos – Camila, Gustavo e Nina – e de Artur, um jardineiro, motorista e mordomo. Em ”As Três Vidas” o narrador acaba por misturar as duas histórias de vida – a sua e a de António Augusto Millhouse Pascal – num período de cerca de vinte e cinco anos, numa narrativa que decorre no Alentejo, em Lisboa e Nova Iorque durante os anos 80, pretendendo reconstruir a sua vida interrompida. Depois das desilusõesBiografia Involuntária dos Amantes – 2* e deO Luto de Elias Gro – 2*, o livro ”As Três vidas”, Prémio Literário José Saramago 2009, do escritor português João Tordo (n. 1975), revela-se um excelente romance, num enredo imaginativo e misterioso, conciliando admiravelmente, uma minuciosa investigação histórica, sobre alguns acontecimentos marcantes que ocorreram no Séc. XX, a que se associa uma influente componente literária, com inúmeras referências a livros e a escritores.”As Três Vidas” é um romance recomendável, para quem aprecia uma narrativa com suspense e um enredo intrincado, simultaneamente, inteligente e engenhoso, com um final adorável. (apesar de em determinadas partes a narrativa se arrastar e de alguns enigmas serem pouco convincentes)

  • Jasminka
    2019-03-04 04:44

    Pročitala sam da je ovo gotski roman smiješten u Portugal. Ima toga, naravno, misterij, očekivanje da se nešto jezivo ili strašno desi. Ne u velkim količinama, više kao naznake… Tu je velikо totalno izolirano imanje “Doba” iliti Quinta do tempo na kome žive tajanstveni Milhaus Paskal i njegov vrtlar Artur, a troje unučadi ga posjećuju svaki vikend koji provode van školskog internata, pa se igraju i provode, a prdružuje im se i glavni lik, narator knjge... Tu su i neki sumnjivi događaji koje glavni lik posmatra kroz prozor svoje sobe… Neobjašnjivi pacijenti ,t.j. klijenti sumnjivog ponašanja i izgleda koji posjećuju vlasnika redovno ili povrijemeno... Nestanak unuke u džungli Njujorka i potraga da bi je našli... Klasičan stil pisanja, sa dobrim opisima, rečenicama, malo napetosti i misterija, malo romantike… sve u svemu meni je bilo interesantno putovanje, posebice drugi dio knjige.

  • Cat
    2019-03-07 03:51

    This is, by far, my favourite book by this author. Loved it from the very beginning, and found it hard to put it down -- all I wanted to do was read it to the very end, since it is such a mysterious and compelling story.21/05/2017: A ler pela segunda vez, já que este é o livro a ser discutido na reunião do meu clube literário de Junho.Tenho que confessar que parti para a releitura deste livro, quase sete anos depois da primeira vez, com um certo receio. Na altura gostei imenso, tenho-o desde então como uma referência nos livros de João Tordo; tive medo de não sentir o mesmo, de não gostar tanto como naquela altura.Agora percebo que nunca seria igual. Quase sete anos depois, muita coisa mudou, eu já não sou a mesma pessoa que era então. Claro que a minha perspectiva em relação a este livro não poderia ser igual!Mas uma coisa é certa: se um livro é realmente bom, então, por mais vezes que se leia, seja em que altura, a leitura será sempre boa. Podemos ver algumas coisas de forma diferente, certos detalhes podem saltar mais à vista, mas a leitura, o prazer que retiramos dela, está lá tudo. E vale sempre a pena.Gostei muito de reler. Havia muitas coisas que já tinha esquecido, portanto acabei a ser surpreendida. Já não me lembro o que senti quando li este livro pela primeira vez, mas tenho a ideia de que me tocou muito. Da segunda vez voltou a tocar-me muito. A história tem momentos muito tristes, desesperantes mesmo, que apertam o coração. O final trouxe-me lágrimas ao olhos. E um sorriso também.Não consigo dar menos de cinco estrelas. Nem deixar de recomendar a quem ainda não leu.

  • Isaura Pereira
    2019-03-03 08:51

    Opinião completa no blogue: http://jardimdemilhistorias.blogspot....

  • Tânia F
    2019-03-09 04:54

    O escritor conseguiu construir uma história envolta em mistério, sobretudo devido a um inusitado emprego que o protagonista aceita na Quinta do Tempo, perto de Santiago do Cacém.O autor consegue criar um ambiente de suspense e tensão e deixar o leitor ávido e intrigado por saber mais sobre o empregador (Milhouse Pascal), sobre o sucedido à sua filha Adriana, sobre as tarefas do leal jardineiro Artur e acima de tudo sobre o sucede com os visitantes recebidos, cuja gestão da base de dados é da competência do protagonista (que sempre se mantém anónimo). O desvendar do mistério sobre os visitantes vai levar-nos a uma breve incursão história pela segunda guerra mundial, pela guerra fria, por espiões e contra-espiões e pela forma química como era extraída informação altamente confidencial. É interesse como aquela revelação nos deixa a pensar se de que facto aquilo aconteceu e acontece na realidade. Se através de uma cuidada mistura de fármacos é possível extrair determinada informação de uma pessoa. Com os avanços tecnológicos que verificamos diariamente, e com a confissão de determinados pormenores por parte de terroristas, estou francamente convicta de que a resposta é afirmativa. Já algumas pessoas me tinham dito que o final desilude um pouco, em que se denota claramente que o autor não sabia o que havia de fazer à história e eu não posso deixar de concordar com isso. Achei especialmente mal engendrado a forma como se desenvolveu o encontro entre Nina e o protagonista em Londres. O autor é conhecido por leccionar cursos de escrita criativa e por ter estudado no estrangeiro essa temática. Talvez influenciada por essa informação prévia, em certos momentos achei que o autor estava a arrastar a história de forma desnecessária, que estava "a encher chouriços", contudo é importante criar determinado ambiente, nomeadamente através da descrição de alguns pontos-chave que nos encaminham para onde o autor pretende.Acho que a história de forma global é interessante, designadamente pelo suspense que cria e curiosidade que suscita. Considerei a escrita aceitável, com a transmissão de certas sensações e sentimentos de forma bastante conseguida, ao ponto de achar que para escrevê-lo o autor teve de vestir a pele do personagem ou que em alternativa, se encontram ali espelhados muitos momentos auto-biográficos.Recomendo enquanto leitura ligeira para quem gosta de suspense e mistério.

  • Raquel
    2019-02-24 02:53

    O que provam estas suas três vidas é mesmo a inconstância da vida, do mundo - como tudo está constantemente a mudar mesmo que tentemos intervir para que tudo aconteça à nossa maneira. Estamos sempre na corda bamba, entre o correcto e o errado, o passado e o presente, a consciência e a paixão, a realidade e a ficção. Às tantas o narrador confunde o que de facto aconteceu com o que acredita que aconteceu (muito 'O Sentido do Fim'!), talvez por querer prolongar a ilusão face à monotonia do dia-a-dia - do que fica no final, depois de termos tentado protagonizar o nosso papel no mundo e quando tudo parece acabar.http://leiturasmarginais.blogspot.pt/...

  • Mady
    2019-03-07 04:50

    What an unbelievable story! However, told in such a way that I couldn't stop reading it!! João Tordo's writing is so easy to read, I really want to read all of his books! And so far, this is probably my favourite one!

  • Ricardo Lourenço
    2019-03-08 07:42

    “O que foi verdade e o que é, inevitavelmente, ficcionado, devido aos limites da memória, não importa – em última análise, a própria realidade é objecto de ficção. O mais importante é libertar-me dos fantasmas, pois acarreto com as sombras de todas as coisas a que não tive coragem para colocar um fim. Isso reflecte-se, sobretudo, nos meus sonhos: ao contrário da crença habitual, não me parece que os sonhos sejam o espelho dos nossos desejos; cá para mim, acho que os sonhos são o espelho dos nossos horrores, dos nossos piores medos, da vida que poderíamos ter tido se, numa altura ou noutra, não fôssemos incomensuravelmente cobardes.”Com o seu terceiro romance João Tordo vê o seu trabalho reconhecido através do Prémio Literário José Saramago, afirmando-se assim no panorama literário português através de um estilo que, apesar das evidentes influências que nele se fundem, lhe permite alcançar uma voz própria.As Três Vidas é uma obra ambiciosa, apresentando diversos enredos cruzados em que o autor consegue, com sucesso, entrelaçar a história pessoal do narrador com alguns dos principais acontecimentos da História mundial, desde intrigas políticas a crimes sangrentos, culminando na maior tragédia do séc. XXI.“Compreendi, nesse tempo de desilusão, algumas das coisas que Milhouse Pascal me tentaria ensinar: que, preenchidas que estão as necessidades primeiras da vida, o espírito torna-se ágil e vagabundeia, lançando sobre o mundo as trevas próprias da sua condição. Ignorância é força, escrevera Orwell: quanto mais pensava sobre tudo, mais facilmente perdia aquilo em que pensava, e a matéria palpável de que é feito o mundo parecia começar a fugir-me debaixo dos pés.”Após a morte do pai, o protagonista vê-se obrigado a preservar o bem-estar da sua família, acabando por conseguir ser admitido como arquivista de António Augusto Milhouse Pascal, homem misterioso e abastado que se refugia num casarão no Alentejo: a Quinta do Tempo. Isolado do mundo, num clima de suspense digno de um conto de Poe, vai descobrindo progressivamente o teor da actividade do seu patrão, e acaba por se apaixonar pela neta mais velha de Pascal, Camila – três vidas ligadas de forma determinante.As revelações são efectuadas num ritmo apropriado, permitindo acompanhar os dilemas pessoais do narrador enquanto vamos conhecendo alguns dos clientes de Augusto Pascal que, de alguma forma, tiveram um papel importante em certos episódios históricos. O autor consegue assim um equilíbrio importante, refrescando o interesse do leitor pela vida de cada uma das personagens sem nunca nos saturar com uma pormenorização exagerada e desnecessária.“Tentando concentrar-me na leitura, olhava para o poster de Philippe Petit por cima da minha cama e via aquele homem desconhecido como uma figura mais real do que a gente de carne e osso, uma companhia das horas mortas que, tal como eu, procurava atravessar uma corda bamba que, a qualquer momento, ameaçava desaparecer sob os seus pés, revelando finalmente os abismos insondáveis do mundo.”Paira ao longo de todo o romance uma sensação de incerteza, resultante da inexperiência do jovem protagonista que, envolto num processo de autodescoberta, é confrontado por uma sucessão de acontecimentos para os quais não se encontrava preparado. Impulsionado pelas circunstâncias e por um estado emocional instável, acaba por cometer actos que o irão assombrar ao longo de muitos anos.Assim, As Três Vidas representa um acto de expiação por parte do narrador que pretende exorcizar definitivamente os fantasmas do passado, sendo também um livro sobre a coragem necessária para enfrentar a imprevisibilidade inerente às nossas vidas, sobre a determinação que nos impede de cair no abismo. “A presença física não é prova de nada. O lugar onde vivemos é o lugar que habitamos em espírito. E, em espírito, nunca regressei. Estou espalhado pelas almas de todas as pessoas que conheci, de todas as coisas que, por lhes ter tocado, modifiquei. Irás aprender isso com o tempo. Um homem não é uma entidade, são muitas e, se não nos decidimos, a tempo certo, por uma delas, acabamos feitos em retalhos.”

  • Marina
    2019-03-11 05:57

    Good storytelling with a spice of mysticism, few learning points for me since it goes through some historical facts and characters and what I loved about the entire book is that it creates a very imaginable atmosphere. So well written, I could describe this book with a colour. The main character is well defined and I could feel what he was going through and understand his acts. I would love to read another book by this young author just to see if he just got lucky with the theme, or does he really have it in him: to depict other themes like a painting.

  • Diana Miranda
    2019-03-15 09:55

    "O que foi verdade e o que é, inevitavelmente, ficcionado, devido aos limites da memória, não importa – em última análise, a própria realidade é objecto de ficção. O mais importante é libertar-me dos fantasmas, pois acarreto com as sombras de todas as coisas a que não tive coragem para colocar um fim."

  • Carolina
    2019-03-21 02:42

    Tinha este livro na estante há seis anos. Mea culpa, mea culpa. Já tinha passado os olhos pelas primeiras páginas umas poucas de vezes sem ter prosseguido, o que resultou na minha surpresa ao encontrar uma passagem sublinhada na pág. 13 (Carolina-do-passado, nice catch!). Penso que o nome “Millhouse Pascal” seja a principal causa para não ter conseguido levar esta história a sério dessas vezes passadas, mas agora que já tenho quase uma década entre mim e a era em que assistia aos Simpsons, esse pequeno detalhe já não me incomodou. Fico contente por anunciar que o livro foi muito mais estimulante do que o que supus durante estes seis anos. Talvez até demais – os mistérios empilham-se, o enredo evolui com um carácter intrigante; esta humilde leitora leu-o de duas assentadas. No início só me fazia lembrar o Remains of the Day, o que só pode ser coisa boa. Mas depressa a história evoluiu para se tornar algo inteiramente distinto. A nível narrativo, não tenho praticamente nada a apontar (ou pelo menos nada que não se prenda com o meu gosto pessoal). É muito mais viciante do que aquilo que seria de esperar. Mas… De certo modo, notei uma certa carência crítica. Claro que este é um livro sobre a culpa e a expiação, uma reflexão que está patente em toda a obra. Mas não me parece que esta tenha sido feita com todo o seu potencial. A expectativa com que nos deixa é que tudo pode ser perdoado mas, simultaneamente, o dilema excruciante de caminhar entre as duas parece ter sido tacitamente evitado pelo protagonista. Há momentos que podemos identificar como o sanar do remorso (ex: (view spoiler)[quando o narrador se envolve sexualmente com Nina, a descente isenta de culpa (hide spoiler)]), mas estes perdem o significado quando nos parece que o sentimento de culpa nunca foi uma força tão inibidora quanto deveria ter sido (claro que isto pode ser só a minha percepção). O aspecto de que menos gostei foi a personagem Camila. A figura feminina que é objeto de desejo ilusório? Been there, done that, é o que me apraz dizer. E diga-se de passagem, essa imagem nunca foi assim tão boa. Mesmo a sua ligação simbólica à decadência do narrador e a tudo o que para este é motivo de imoralidade/fascínio não me parece particularmente inspirada. Gostei de alguns detalhes que ficaram por esclarecer. As sombras narrativas são para mim a verdadeira pérola desta obra.

  • Ângelo
    2019-03-08 05:33

    Um romance narrado na primeira pessoa, todo o paradigma deste romance gira em volta do narrador que nunca chegaremos a saber o seu nome (rapaz pobre que após a morte do pai se vê na angústia de sustentar a família, aceitando um trabalho de contornos pouco lúcidos); a sua misteriosa relação (mistério e suspense é disto que este livro é feito e digamos até à última página) com o seu patrão, Augusto Milhouse Pacal (Ex espião e dono da misteriosa agencia MP, situada na quinta do tempo no Alentejo), com o jardineiro Artur, e os netos do patrão Nina, Gustavo e muito especial com Camila.O jovem apaixona-se pela bela Camila (neta mais velha de Milhouse), turvo por esse romance desleixa a família e penetra num mundo sombrio que o acompanhará para os restos dos seus negros dias. Essa paixão “obriga-o” a acompanhar o patrão numa missão de resgate/salvação a Camila, com um final trágico fica preso em Nova Iorque e inicia a sua travesia pelo estado de desgraça imensurável.Este estado deplorável proporciona-lhe o seu futuro, sem que lhe seja deslumbrado, aos poucos a sua recuperação é notória, partindo de Nova Iorque, para o seu regresso à vida (Portugal), a sua procura por respostas mantém-se inevitavelmente a cada página.Numa constante escrita fluida, o autor, agarra-se, aos acontecimentos 9/11/2001 para fechar uma parte do livro, e criar nesse mesmo instante uma mudança na atitude do jovem narrador, passando de uma destruição total para uma vida “regular” de criação profunda.Três vidas mas que poderiam ser muitas mais, ou então somente uma, aqui está um romance com uma escrita simples, directa, crua mas que nos prende à sua leitura.João Tordo está realmente num bom caminho para alcançar um lugar de distinção no Romance/Ficção da literatura portuguesa, já em Setembro seremos presenteados como um novo livro deste autor (Bom Inverno), assim para os interessados assinalem já no vosso calendário a data pois valerá a pena, uma autor a seguir cuidadosamente.

  • Natacha Martins
    2019-03-14 02:39

    Este livro é das melhores coisas que li nos últimos tempos! É o que me ocorre dizer agora que cheguei ao fim, não sem alguma pena por ter de o fechar e largar. João Tordo entrou, definitivamente no meu coraçãozinho de leitora e hei-de devorar tudo o que escreveu e escreverá. Muito, muito bom!Quanto ao livro o que será que posso dizer sobre ele? Bem, primeiro a história é fantástica e as personagens idem idem, aspas aspas. João Tordo consegue fazer-nos sentir medo, apreensão e desperta-nos de tal maneira a curiosidade e o interesse, que largar o livro é difícil. Para onde é que a história vai levar o narrador, de quem nunca sabemos o nome? Quem é Millhouse Pascal, e porque é que é procurado por homens tão perigosos e perturbados na sua Quinta do Tempo, uma propriedade perdida no Alentejo dos anos oitenta? Que papel teve Millhouse na história sangrenta do século XX? Quem é Artur, o jardineiro que raramente vemos a jardinar, e fiel empregado de Millhouse? Conseguirá o jovem sem nome, o rapaz que nunca cresceu, alcançar Camila do alto da sua corda bamba? Conseguirá alguma vez viver sem ela, esquecê-la e aos acontecimentos que marcaram a sua passagem pela Quinta do Tempo?Perguntas e mais perguntas, mistérios e mais mistérios e uma imaginação ilimitada preenchem as páginas deste livro. Dizer mais seria redutor e, por isso fico-me por aqui, porque há livros assim, difíceis de explicar.Recomendadíssimo! :)

  • Marisa Fontinha
    2019-02-26 07:39

    Leitura muito fácil e história interessante. Gostei da ideia que se pretendia transmitir, mas não gostei da forma como foi transmitida. As personagens foram criadas para serem intensas e enigmáticas, mas acabaram por me parecerem fracas e muitas vezes o autor acabou por nos transmitir diretamente as suas caraterísticas. Camila é uma personagem apresentada como enigmática e selvagem, mas isto não é propriamente demonstrado pelas suas ações, mas sim por referência do narrador.Conseguiu manter o suspense ao longo de toda a história e apresentou uma história muito leve com uma escrita muito fácil de ser seguida. Resumindo, gostei do livro, recomendo, mas não considero um livro fabuloso. Proporcionou-me uma boa leitura e talvez venha a ler mais qualquer coisa do autor.

  • Tijana
    2019-03-11 04:52

    Ovo je fina, solidna knjiga. Pogotovu početak koji lepo i uspešno po n-ti put prolazi ono najklasičnije opšte mesto: siromašni mladić prihvata sekretarsko mesto na zabačenom imanju, kod tajanstvenog i nevidljivog gazde, za masne pare... malo Džejn Ejr, malo Artur Konan Dojl. Prva polovina knjige uspešno balansira između tajanstvenog i neodređeno zlokobnog posla kojim se gazda bavi i zaljubljivanjem sekretara u jedno od troje gazdine ljupko dekadentne unučadi, druga polovina malo popušta (pre svega jedan detalj samog kraja, ali neću spojlovati) i protagonista je sve vreme beskrajno pasivan, ali, sve u svemu, prijatna lektira, i da sam stala na prvih sto-dvesta strana dobila bi pet zvezdica bez po muke.

  • Francisco Mouraz
    2019-03-04 01:34

    Não atribuo as 5 porque o primeiro terço desiludiu-me, soando-me muito semelhante ao trabalho que tinha lido dele (mesmo que posterior). Apesar de tudo, a partir daí o livro assume um tom bastante diferente tornando uma panóplia de mistérios quase torrencial (vinda do primeiro terço) numa busca ,mais do que de soluções para os mesmos, do significado de um passado que marcou a ferros a vida do personagem principal.O melhor do João Tordo que li até agora.

  • Paulo
    2019-03-13 07:57

    Não gostei nem da história, demasiado simples e sem grande elemento de surpresa nem da escrita. Todos os eventos passam-se sem grande sequência lógica e, tirando talvez o protagonista principal (grande talvez), as personagens têm zero desenvolvimento. A escrita é demasiado banal . Tentei dar uma oportunidade ao livro lendo o até ao fim. No final de contas um desperdício de tempo.

  • Ana Mendes
    2019-03-17 05:45

    Adorei e recomendo. Um dos meus livros preferidos!

  • Paulo Coutinho
    2019-03-09 06:00

    Aqui está um escritor em pleno crescimento. Desta vez convenceu-me. Gostei muito!

  • Sara
    2019-02-24 02:00

    brilhantemente escrito!

  • Tita
    2019-03-24 01:40

    Passado em Lisboa, no início dos anos 80, o nosso narrador é um jovem que, após a morte do pai, se vê na "obrigação" de arranjar um emprego que o permita sustentar a mãe e a irmã mais nova. Acaba ser contratado pela Agência MP, como secretário particular, mas tem que partir para o Alentejo, para a propriedade isolada de António Augusto Milhouse Pascal.Gostei bastante da primeira parte do livro (está dividido em 4 partes), onde vamos conhecendo o nosso protagonista, o seu trabalho para Milhouse Pascal, e as outras personagens, como Artur e os três netos de Milhouse Pascal. O autor conseguiu manter a história interessante, pautada pela aura de mistério e tensão em torno de Milhouse Pascal e do seu trabalho. No entanto, quando a história se começa a centrar na neta Camila e na vida do nosso narrador, para mim, foi perdendo o encanto.Confesso que esperava gostar mais do livro, no entanto, espero ler mais de João Tordo, pois gostei da escrita.

  • Ana Castro
    2019-03-03 08:49

    O primeiro romance que leio deste escritor. Gostei do suspense e do interesse que o livro desperta ao longo das suas quase 400 paginas. O narrador de quem nunca sabemos o nome descreve-nos a sua aventurosa vida , os seus fantasmas , os seus remorsos , as suas quedas e recomeços.A sua vida e a dos outros que com ele se cruzam. As personagens são bem caracterizadas mas a partir de certa altura tive a sensação que Joao Tordo não sabia bem como havia de acabar . O final foi bem escolhido. Uma espécie de resumo de toda a trama . Não fiquei muito entusiasmada em ler outras obras deste autor até porque as críticas que li no goodreads dão a melhor classificação a este romance .

  • João Filipe
    2019-03-11 06:39

    A história de António Augusto Millhouse Pascal, pela mão do romancista João Tordo. O livro dá indícios, fortes, da qualidade de escrita do João Tordo, será à vontade um escritor referência da contemporaneidade. Livro com uma escrita leve, rápida e com alguma facilidade em falar com o leitor. Registo funâmbulo, que podia cair para um lado ou para o outro, acaba por se manter inteiro.

  • Rita Pires
    2019-03-09 04:50

    Interesting book from a new Portuguese author. But a story that is maybe too long with some non credible facts which disturbe the reading rhythm.

  • djamb
    2019-03-19 06:40

    Pode ler o post completo em www.folhasdepapel.wordpress.comAs Três Vidas foi um livro que me foi aconselhado por uma amiga que lê tanto como eu, depois de ambas lermos O Bom Inverno, do mesmo autor. E, é curioso, podemos mais uma vez confirmar que aquilo que lemos nos define e diferencia dos ademais. Ela adorou, eu nem por isso. Mas vamos por partes:João Tordo possui em si uma veia de escritor, não há qualquer dúvida. A história complexa deste romance literário coloca-o numa posição bastante interessante no que respeita a jovens escritores e a literatura contemporânea. O cruzamento de linhas narrativas, a profundidade da história das personagens, os pormenores que enriquecem as páginas… Está tudo lá. Mas, na minha opinião, faltam alguns ingredientes para tornar este naquilo que poderia considerar um livro que gostaria de reler.Atenção! A partir daqui, e para explicar melhor o que achei do livro, incluí alguns spoilers.De forma geral, não podemos dizer que podemos resumir o livro em apenas uma frase, visto que aquilo que é uma história misteriosa passada em pleno Alentejo acaba por se tornar num policial em Nova Iorque e, mais tarde, um género de deambulação emocional, quais passagens privadas num diário. Em todo o caso, os registos históricos demonstram uma forte investigação de fundo, os quais são cruzados de forma bastante discreta com a narrativa que acompanhamos, o que nos dá a impressão de estarmos a folhear páginas de História.A tridimensionalidade das personagens é ambígua e, em alguns momentos, fiquei com a impressão de que uma das principais acaba por se limitar a ser isso mesmo - uma personagem fictícia que não convence: Millhouse Pascal, um dos nomes catalisadores desta história, tem tanto de interessante como de imprevisto, dando a impressão que o autor tinha uma ideia muito definida do quem este homem seria, mas com algumas passagens que nos deixam a perguntar se não seria melhor deixar a personagem viver por si, em vez de lhe tentar atribuir ainda mais características. Serão muitas particularidades para um carácter só?Por outro lado, o nosso protagonista parece-me ter sido pouco aprofundado, pois acabou por se revelar uma personagem submissa que vai ao sabor da corrente. Admito que fiquei sem perceber a fixação da personagem em Camila, visto terem sido poucos os seus encontros e ainda menor a sua envolvência, de forma geral. Mas esta obsessão acaba por se tornar o fio narrativo da história, o que levará o nosso narrador a sofrer imensamente de amor e solidão. Mas, independentemente da sua conturbação, este mesmo homem sofrido é capaz de esquecer um assassinato pelas suas próprias mãos.Mas, ainda gostando do que lia – porque João Tordo domina a língua portuguesa -, não fui capaz de começar alguma antipatia sempre que lia passagens como “fui de encontro a” (em vez de “fui ao encontro de”), “eu faço isto, eu digo aquilo” (redundâncias), ou mesmo “com vocês” (por oposição a “convosco”). Embora todos possamos adaptar a nossa linguagem e forma de expressão escrita aos vários formatos, não me parece que este tipo de escrevedura seja favorável num romance com tamanha complexidade narrativa. Para além disto, infelizmente houve outra situação que me deixava cansada página após página. Contradizendo os conselhos de Mário de Carvalho, por exemplo, João Tordo adora frases feitas e lugares-comuns: são muitas as passagens em que encontramos expressões coloquiais e clichés em variadas descrições e diálogos, o que, quanto a mim, me afasta do que leio.Mas, para quem gosta de literatura portuguesa contemporânea, esta pode ser uma obra a considerar.

  • Gláucia Renata
    2019-02-27 04:50

    "A paz é uma espécie de amnésia." Comecei o livro com uma perspectiva que foi se modificando ao longo de suas 600 páginas. O autor cria um suspense muito grande em torno do patriarca António Augusto Milhouse Pascal e seus netos, seu soturno secretário e jardineiro Artur e as atividades de sua empresa. Esse clima se manteve até mais da metade do livro quando passei a perceber que a mensagem do jovem autor era outra. Narrativa clara e envolvente, João Tordo promete.""O respeito para com os mortos não existe quando somos culpados. A única coisa em que pensamos, por mais honestos que sejamos, é na nossa salvação."""É curioso que as pessoas usem a expressão vida e morte. A morte não é o contrário da vida, mas sim do nascimento. A vida não tem contrário."

  • *Dragonfly*
    2019-02-28 01:39

    Roman pisan stilizovanim, prociscenim jezikom a bremenit misterijom, osecanjem istinske ljubavi.Tordo pominje mnoga knjizevna dela te na taj nacin tka omaz velikanima pera; Orvelov roman 1984, Manov Carobni breg, Platonova Republika samo su neka dela od pomenutih.Nepretenciozno i blago, Tordo pominje tezu i antitezu kao intelektualni paradoks isticuci da je roman (1984) ponekad apologija socijalizma a ponekad uzaludnost istog.Na isti blagi i prijemcivi nacin citaocu otkriva Mezmera i govori o greskama koje prodiru u stvarnost.Zelim da istaknem da je ovo roman bremenit mnogim zanimljivostima iz oblasti Knjizevnosti, Psihologije, Filosofije, a ipak vrlo pitak i stilizovan. :)

  • Catarina
    2019-03-09 03:58

    Este livro provou - me que vale a pena dar uma segunda oportunidade aos autores. Depois de a minha primeira experiência com João Tordo ter sido o detestável "Bom Inverno", "As Três Vidas" foram não só uma agradável surpresa, como contém uma narrativa narrativa extraordinária. Uma história muito bem contada, com um enredo e personagens que nos prendem e um mistério latente quase desde o início que o leitor tenta, também ele, descobrir e desvendar. Muito bem escrito e com uma evolução das personagens muito interessante e dinâmica. Aconselho vivamente.

  • Henrique Vogado
    2019-02-28 06:56

    Grande começo nos livros do João Tordo. Uma capacidade para contar uma boa história, de criar expectativa e jogar muito bem com o tempo presente e o passado durante a história.Personagens bem desenvolvidos, uma surpresa quase ao fim e um fim que não esperava. Deixou-me com fome para mais.Grande parte do livro parece que ando no planeta Paul Auster, especialmente nos capítulos em Nova Iorque. Irei procurar mais livros deste autor.

  • Ana
    2019-03-06 08:52

    Simplesmente adorei. Foi o primeiro livro de João Tordo que li e pelos vistos andei a perder grandes momentos de leitura deste autor. Esta história é contada na primeira pessoa, como se de um livro de memórias se tratasse, e tem um enredo muito bem construído, as personagens principais são muito interessantes.É misturado um pouco de romance, mistério, registos históricos, viagens, artes.. Um livro muito bem escrito, cativante e que não apetece pousar até acabar.Recomendado, sem dúvida.