Read para sempre by Vergílio Ferreira Online

para-sempre

No final de uma vida, entrando no seu epílogo, um homem já sem destino para cumprir medita sobre o seu passado e o seu futuro, no regresso a uma casa vazia onde passou parte da sua infância, povoada de fantasmas que evocam os momentos chave da sua existência. Recheado de flash-backs para o passado e para o futuro (!), a antevisão, real e com todos os detalhes, da degradaçãNo final de uma vida, entrando no seu epílogo, um homem já sem destino para cumprir medita sobre o seu passado e o seu futuro, no regresso a uma casa vazia onde passou parte da sua infância, povoada de fantasmas que evocam os momentos chave da sua existência. Recheado de flash-backs para o passado e para o futuro (!), a antevisão, real e com todos os detalhes, da degradação da sua velhice e do seu funeral urge em Paulo a derradeira tentativa de procura da explicação de um sentido para a vida, alimentada por muitos sonhos e esperanças no tempo em que tal era devido, cheia de frustrações e desilusões posteriores frutos de um destino azarado e de uma fatalidade previsível, condições propícias para um redescobrir da vida nos elementos mais simples que anteriormente passavam despercebidos na azáfama do cumprimento do quotidiano e de toda uma vida alicerçada nos seus valores supostamente mais altos.Nesta narrativa de evocações aleatórias, centrada no romance de Paulo com Sandra, mulher difícil e de poucos sentimentalismos, a redução de uma vida ao seu cumprimento basilar pelo amor, último alicerce num mundo de ilusões, revelando-se semítico na sua realização, e defraudado ainda por uma filha que o confronta com a esterilidade da sua actividade e do seu pensamento, mumificando-o no seu tempo presente, tempo esse prometedor de progressos civilizacionais que os próprios contemporâneos se encarregam de deitar a perder, ébrios de uma liberdade utópica que nada concilia face à disparidade de vertentes, facções e pontos de vista que num ruído ensurdecedor emudece e paralisa a humanidade no êxtase do extremo da civilização actual.Vítima do seu próprio pensamento perscrutador, questionando a sua condição humana e a dos outros, comparando-a até ao fim dos tempos, um lamento arrastado mas pontuado por algumas fagulhas de lucidez e outras de felicidade passada e presente, num acomodar inconsciente contrastante de uma luta ávida pela vida onde persistem ainda mais perguntas que respostas apesar de toda a sofreguidão de viver tal como evidenciado pelo relato de vida do narrador. A paz nunca chega, para sempre continua a percepção do abismo entre aquilo que se é e aquilo que se sente.Paulo Neves da Silva,Oeiras, Portugal...

Title : para sempre
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ISBN : 7657773
Format Type : Paperback
Number of Pages : 306 Pages
Status : Available For Download
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para sempre Reviews

  • Ana
    2018-11-14 00:05

    "Dou a volta à casa toda, dou a volta à vida toda e é como se um desejo de a totalizar, a ter na mão. Ter a imagem visível de tudo quanto a construiu, rever-me nela para a levar comigo. Morrer todo no que fui - para quê restos atrás de mim? ser perfeito na minha totalização."(p. 43)

  • Teresa Proença
    2018-10-20 06:01

    “Todas as idades fazem parte da vida, a velhice é um sobejo.”Paulo, homem idoso e solitário está de regresso à terra onde nasceu e cresceu. Aí, abre as janelas da memória, e observa os fantasmas daqueles que amou e perdeu para a morte; inclusive o da sua própria infância e juventude.A escrita é maravilhosa; poética; perfeita... Mas não! Não vou continuar a lê-lo. Agora não…Se o ler com a mente irá deixar-me entediada;Se o ler com a mente e o coração, irá deixar-me deprimida.Apenas li cerca de cinquenta páginas e seria um desrespeito atribuir-lhe qualquer estrela…

  • Joowy
    2018-10-22 02:27

    «Sê calmo até à estupidez como a vida. E todavia. Dar a volta por quanto existi - e exististe tanto. Porque uma vida humana. Como ela é intensa. Porque o que nela acontece não é o que nela acontece mas a quantidade de nós que acontece nesse acontecer.»«Inventávamos o futuro para ainda haver futuro quando o não houvesse e a vida lhe pertencia.»

  • João Biscaia
    2018-10-22 23:28

    Vergílio, tardio, no seu ponto de ebulição.

  • Vanda
    2018-11-08 06:18

    Tantas vezes o comecei a ler e tantas vezes não consegui passar da 3ª página. Quando não dá, não dá. Para uns uma obra prima, para mim um sacrifício...

  • Fernando Araújo
    2018-10-27 22:19

    Que fazer? Não sei fingir que amo pouco quando em mim ama tudo. E à mistura, uma ternura subtil. Uma indefinível regressão à meninice.

  • Cloud
    2018-11-10 04:07

    " - Espírito da montanha!não grites. Chamarás a atenção das gentes, meter-te-ão num hospício, sê calmo. Se fores calmo e sensato, tudo será tão evidente. (...) Respira fundo a imensidão da terra e os astros que vão chegar e o aroma que se desprende da existência de tudo. Respira fundo e olha apenas. Virá a morte quando for a altura de tocares o teu limite e o teu corpo esgotar tudo o que nele existiu. Reconhecerás então que todas as ideias sobre ele são de mais - que é uma ideia? Porque uma ideia é também um acto de vontade - não penses. Toda a vida se cumpre por si, facilmente, espontaneamente - não penses. Toda a vida tem em si as ideias de que precisa, não há necessidade de promovê-las. Elas nascem do próprio acto de existires, não as procures para além disso. Procurá-las é tecê-las no vazio de si, não procures. (...). Recolhe-te à humildade de ti (...). Olha apenas à tua volta, distraidamente olha. Morte e vida e paixões e sonhos e vitórias e desilusões, como um ferro-velho das valetas, a vida cumpre-se indiferente pela sua estrada real - esquece. Então terás inscrito o teu ser na Grande Ordem do Universo, a Grande Lei será a tua lei sem que procures saber qual é a tua lei. A tua lei é existires com um mínimo de atenção ao que fores existindo. Cumpre-te como homem que existiu, não tentes ir além de ti, porque a Ordem está em ti, vasta, transbordante, imensa como os limites do mundo. Repousa aí no centro da tua vida tão misteriosa e tão simples. (...) recolhe-te a ela com a gratidão e a humildade com que deves entender-te (...) que é que queres saber? Tudo está sabido desde o inicio, o resto é orgulho e estupidez."

  • João Cruz
    2018-11-18 02:29

    O pai ausente (desde sempre?), a mãe demente que morre precocemente, duas tias à antiga, um grupo de amigos pouco ligados, uma mulher fria e distante e uma filha que pouca ternura tem pelos pais. Tudo isto revisitado na solidão de uma casa de família abandonada onde o narrador passou a infância e que escolhe para passar a sua velhice. No meio de tudo isto, a busca da palavra, a última que a sua mãe lhe segredou ao ouvido e que ele não entendeu. A palavra que tudo resumiria da vida. E no fim, a consciencialização de que essa palavra não lhe pertence e que aceita o seu destino, para sempre.