Read O Bom Inverno by João Tordo Online

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Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que oQuando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.Neste romance absorvente e magnificamente narrado, com alguns dos melhores diálogos da literatura portuguesa, João Tordo coloca a sua arte do serviço de uma história carregada de suspense, em que o amor e a literatura se misturam com sexo, crime e metafísica, agarrando o leitor da primeira à última página....

Title : O Bom Inverno
Author :
Rating :
ISBN : 9789722041379
Format Type : Paperback
Number of Pages : 290 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

O Bom Inverno Reviews

  • Carla
    2018-12-27 15:59

    A minha primeira leitura de João Tordo que passo a resumir numa palavra: FANTÁSTICA!É com um arrepio que concluo a leitura de "O Bom Inverno" e com a certeza de que não mais deixarei de acompanhar o autor e a sua obra... Genial!

  • Sara
    2018-12-22 15:44

    Um escritor fracassado e à beira da falência é convidado para um encontro literário em Budapeste, onde conhece Vincenzo, um jovem escritor italiano que o convence a ir até à casa no bosque de Don Metzger, um conhecido e enigmático produtor de cinema.Numa noite de excessos, Don aparece morto na piscina, e Bosco, seu amigo fiel, encurrala todos os presentes naquela casa cercada por um bosque, que só ele conhece bem, até que alguém se acuse do homicídio.Peguei neste livro sem saber a sua sinopse e foi uma total surpresa, pois não esperava que este livro se tornasse num thriller empolgante a roçar o terror... sim, cheguei a imaginar isto tudo como um belo filme de terror! Esta foi a minha primeira experiência com o autor e adorei. Tem uma escrita bonita e envolvente, quando dei conta tinha engolido 150 páginas de rajada, só para poder saber o final. Acho que nunca li nada assim. Cada vez mais tenho a certeza que ler autores portugueses é uma experiência única, tão próxima de nós, tão compatível com aquilo que somos. Vejo tanta gente ignorar os autores portugueses sem saber aquilo que está a perder, a negligenciar. Neste momento temos autores nacionais de diferentes estilos cheios de qualidade, que escrevem coisas belíssimas. Recomendo. Não vou perder de olho João Tordo.

  • Carla
    2018-12-22 21:05

    Parti para a leitura deste livro com as espectativas muito altas.Todas os opiniões que li sobre o mesmo foram bastante positivas.É de louvar todos os novos escritores portugueses, seja de que tipo de narração for.Este livro não gostei, talvez os outros deste autor sejam melhores.No inicio fez-me lembrar imenso "O Último dos Padrinhos" de Mario Puzo, toda a história à volta de actores, produtores e cinema tal e qual o génio da Mafia.O meio e fim da história fez-me lembrar esses filmes de terror baratuxos de Hollywood. Em que vao todos para uma casa e começam a morrer um a um, e que se vêem aflitos por escapar dali com vida.Epá que seca. O que me valeu foi ser um livro pequeno e com uma escrita muito fluente, porque em termos de conteúdo ficou muito aquém.Não gostei. Mas li até ao fim.

  • Natacha Martins
    2019-01-10 20:37

    Depois de ter lido, mais precisamente devorado, o As Três Vidas (comentado aqui) as minhas expectativas para uma próxima leitura de João Tordo eram, naturalmente, elevadas. Embora estas não tenham sido totalmente satisfeitas, também estão longe de terem sido goradas. O livro acabou por ser diferente do que eu estava à espera mas bom na mesma. :)Este livro, à semelhança do As Três Vidas, é um daqueles livros em que não faz muito sentido discorrer acerca da história porque é complicado deixar alguma coisa de fora. Tudo tem um contexto e, ou se refere sem contextualizar, o que não faz muito sentido, ou corre-se o risco de transcrever o livro para aqui e, também não é isso que se pretende. ;)Livros assim são os que mais me custam a opinar, porque acho que só lendo se tem uma ideia correcta do que são. São histórias, mas não são apenas um relato de uma sucessão de acontecimentos. João Tordo é definitivamente um excelente contador de histórias, tem uma imaginação e uma capacidade de interligar os acontecimentos que é fora de série. As personagens são todas únicas, cada uma com as suas particularidades e com a sua devida importância para a história. Tanto a história como as personagens estão extremamente bem construídas e a curiosidade pelo desenrolar dos acontecimentos é uma constante. O que também é constante é a dificuldade em catalogar o livro. É um policial, cheio de suspense, quase a roçar o terror. Está cheio de coisas bizarras, um pouco nonsense às vezes, com diálogos fantásticos, alguns com uma profundidade desconcertante e personagens sui generis que o autor explora e expõe tornando-as a todas, de diferentes formas, interessantes e psicologicamente densas, mesmo Don Metzger o morto que apenas conhecemos pelas palavras dos outros.Acho que não vale a pena acrescentar mais nada porque para perceber só mesmo lendo. :)Acrescento que, autores como João Tordo, Saramago, João Aguiar, José Luís Peixoto (só me saíram Jotas, as outras letras que me desculpem) e muitos outros, tornam o prazer da leitura, em português, num prazer que é diferente daquele que se sente com um livro traduzido. A forma como brincam com uma língua que é tão nossa torna os livros muito mais próximos e, isso é algo que começo a valorizar cada vez mais. A literatura portuguesa tem vindo a ganhar cada vez mais espaço nas minhas estantes.Quanto a este livro em particular e ao autor em geral, só posso aconselhar a leitura, sem qualquer reserva.

  • Sara Jesus
    2019-01-19 15:58

    São raros os livros que de facto me surpreendem. Principalmente um livro de um autor desconhecido ( pelo menos para mim, que nunca ouvira falar), e que não costumo ler estes novos autores portugueses. Mas João Tordo escreve com mestria este thriller policial, e nos lembra um pouco Agatha Christe no seu policial " E não sobrou nenhum".A narrativa é contada por um escritor frustrado e inválido que é convidado para uma conferencia literária. Nesse evento ele conhece um bando de pessoas extravagantes, e estas o convencem a passar uns dias numa mansão particular de um realizador conhecido por Don. Só que este não é apenas conhecido pelos seus filmes, aliás estes até são poucos conhecidos, mas pelas suas extravagancias. Na sua casa vive um catalão intitulado de Basco que construí balões de ar quente , para vê-los desaparecer no mar.Mas o que parecia ser uma noite memorável, uma festa de luxo repleta de prazeres acaba por se tornar um cenário de um crime. Uma vez que o Don aparece morto da piscina. E Basco monta um cerca de modo a descobrir o seu assassínio. Assim, um por um dos visitantes acabam por morrer de situações misteriosas. Todos são acusados, mas nenhum mostrar sinal de ser o serial killer. No final nos resta uma resposta: Afinal quem é o assassínio? O narrador apenas dá-nos as pistas, mas não as respostas. Não existe nenhum momento no livro na qual o narrador declara ser essa personagem o autor do crime. Somos nós, os leitores, o detective desta história!

  • Victor Hugo
    2019-01-04 18:55

    Não tinha ideia do que encontrar neste livro do João Tordo.Sendo o primeiro livro que li do escritor não tenho meio de comparação. Mas o meu juízo não mudaria assim tanto.Gostei do livro, sim. A narrativa flui muito bem, as personagens são interessantes e os detalhes também. As interpretações nas entre-linhas são várias, e as reflexões filosóficas são pertinentes, e até li uma ou outra que me fez parar a leitura para que eu pudesse pensar juntamente com o texto. E até há um desses momentos que guardei em nota para voltar lá e retomar a reflexão.O livro é interessante e agradará vários tipos de leitores. Mas, como já ando nisto de leituras há alguns anos, há a meu ver uma falha, ou melhor, há um aspecto que não gostei: a parte final do livro parece uma correria; e o próprio final não me encheu as medidas.Mas, nem todos os livros têm de seguir os modelos clássicos...(3,5)

  • Natacha Cunha
    2019-01-01 14:55

    Quando se geram grandes expectativas têm-se as maiores desilusões.Este foi o primeiro livro que li de João Tordo e acho que não comecei da melhor maneira. O livro não prendeu a minha atenção, de todo. Achei interessante ser um livro sobre escritores, mas tudo o resto não cativou.A história não surpreende e chega até a ser monótona e enfadonha.Acho que a trama deixa demasiadas pontas soltas, num fim precipitado e confuso.Mas nem tudo é mau. Destacam-se os diálogos metafísicos de Bosco, esses sim capazes de captar toda a nossa atenção. Verdadeiramente surpreendentes e demonstradores da riqueza e profundidade da personagem, quando nada o fazia prever.Opinião completa: http://pbpretonobranco.blogspot.pt/20...

  • Fernando Évora
    2018-12-26 16:39

    Comecei com expectativas. Afinal sempre é um autor da nova geração portuguesa acarinhado pela crítica e com os seus fãs. Todavia, começaram logo a desvanecer-se. O princípio soa a dejá vu - como todo o livro, de resto - com alguns diálogos forçados, mal construídos (opinião estritamente pessoal, claro). O desenrolar é pior e (quase) confirmou os piores maus "feelings" que o início fazia prever.Mas vamos ao que interessa: um apanhado geral. O livro é um policial. Querer ver nele mais do que isso (e o autor dá-nos essa indicação) é rebuscar demasiado. Enquanto policial é coisa vista, uma mistura de "o caso do 10 negrinhos" de Agatha Christie, com as coisas à Stephen King que deram em filme (várias vezes lembra o shinning). A originalidade está, portanto, longe de ser o forte deste livro. Para policial tem várias inconsistências e explicações por dar. Imperdoável.Nem tudo é mau, contudo. O autor mantém algum suspanse e há personagens bem construídos. Está academicamente escrito, seguindo os preceitos técnicos dos cursos de escrita criativa. nada mais do que isso.Terei muitas dificuldades em pegar no João Tordo outra vez.

  • Filipe GB
    2018-12-27 13:49

    Livro interessante e bem escrito. Consegue de facto prender a atenção do leitor (ou pelo menos conseguiu prender a minha), no entanto acaba de uma forma um bocado precipitada e confusa. O final não correspondeu de todo às minhas expectativas...o desenvolvimento prometia (ou pelo menos fiquei com essa sensação) demasiado, o enredo estava de tal forma enrodilhado que fiquei excessivamente expectante em relação à explicação das coisas que, afinal de contas, nem o autor do livro me pareceu saber explicar muito bem. Qual a razão do comportamento de Olívia? Onde foi o protagonista desencantar a explicação de todo o mistério, que narrou tão detalhadamente a bosco...? Coisas que não cheguei a perceber...

  • Raquel
    2019-01-08 13:39

    Quando os livros são ricos e tocantes, todas as palavras parecem poucas para os descrever; todas as interpretações parecem cruéis para a sua perfeição. 'O Bom Inverno', de João Tordo, é um desses livros. Com ele subimos no balão e não queremos voltar a pôr os pés no chão. Sentimo-nos num inverno agreste e, ao mesmo tempo, num verão caloroso. Tememos a página seguinte mas não conseguimos parar de ler. Chegamos ao fim e sentimos uma tranquilidade desassossegada, de que só as grandes obras são capazes.Crítica completa no Espalha-Factos:http://www.espalhafactos.com/2014/06/...

  • Maria
    2018-12-23 18:56

    Uma lufada de ar fresco nas minhas últimas leituras. Um livro que me surpreendeu deveras, intrigou e confundiu, para, no final, não me dar todas as respostas que queria. Um final que deixa espaço para o leitor se continuar a interrogar e, como tal, é impossível esquecer o que se leu.

  • Graciosa Reis
    2019-01-20 18:06

    Após a leitura de As Três Vidas do mesmo autor, galardoado com o Prémio Saramago, espera-se que este esteja ao mesmo nível. Bem escrito, o autor apresenta-nos um enredo policial que mantém o leitor preso e por vezes surpreendido com o desenrolar da ação. O narrador é um escritor português frustado e depressivo (o facto de coxear e usar bengala é apenas psicológico) que aceita um convite para participar num encontro de escritores, na Hungria. Aí conhece outros escritores e vai envolver-se numa aventura estranha e negra... Gostei, lê-se bem. No entanto, continuo a achar que As Três Vidas está num patamar superior.

  • Patriciacabrinha
    2018-12-23 21:05

    Através de um livro de suspense, o escritor coloca-nos algumas questões metafísicas, obrigando-nos a reflectir sobre a vida, a morte, os nossos medos e perspectivas sobre a vida. Um mesmo evento pode ser vivido de formas diferentes por diversas pessoas, dependendo do ângulo em que estas o abordam. O pessimismo ou o optimismo perante a vida condicionam a forma como percepcionamos os acontecimentos."Havia um filósofo medieval que dizia que todo o amor era peso. O ódio, curiosamente, parece ser muito menos pesado, porque não nos consome por inteiro, extingue-se facilmente à primeira derrota, à primeira humilhação. Ao primeiro fracasso. Podia pensar-se que o amor contitui a nossa derradeira e eterna libertação, mas estamos enganados, porque ele nunca se extingue, continua a fazer de nós escravos. (...)Desengana-te: o amor não é senão peso. É a coisa que mais nos prende a este mundo. Significa que estamos agarrados às coisas com unhas e dentes; que nos recusamos a deixá-las para trás, numa aflição patética. Porque é que te parece que enterramos os mortos? porque eles carregam consigo o peso da vida: mesmo no leito de morte, o homem quer levar consigo as coisas que mais ama." (pág. 259)"

  • Cathy
    2019-01-03 12:58

    Este foi o primeiro livro que li deste autor. Fi-lo por pertencer à lista dos livros das Leituras Temáticas do grupo de leitores do Goodreads. Não tinha grandes expectativas, apesar do autor ter ganho o Prémio José Saramago em 2009. Muitas vezes não vejo a qualidade literária para atribuição de alguns prémios.Por tudo isto, iniciei a minha leitura de forma despreocupada. Era mais um livro de férias.No entanto, o livro é muito bom. Está bem escrito. Com personagens interessantes e bem desenvolvidas, que revelam caracteristicas positivas e negativas de maneira equilibrada. sem haver uma exagerada idealização de qualquer uma.O autor conseguiu, segundo a minha opinião, com sucesso abordar vários temas e unir de maneira feliz o romance com o policial (que não me apercebi que seria até me encontrar a 1/3 do livro).O livro está muito bem construido. A não perder.

  • Mady
    2019-01-04 14:45

    My first from João Tordo and it won't be the last one!The story is kinda crazy, but well built. The characters are unusual, but believable. The author's writing style made me always want to read more, even when the plot got less exciting and also with un-likable characters.A frustrated, wannabe, disillusioned, hypochondriac writer gets an invite for a paid conference in Budapest. So there he goes on an unforeseen and dangerous adventure!It was unexpected to read a Portuguese book where the plot took me to Budapest (where I currently live) and also to see the Italian Mussolini-built city of Latina being mentioned on this book - it's such a small place which I've visited by chance!(It somehow reminded me of "Budapeste" by Chico Buarque")

  • Olinda Gil
    2019-01-16 13:54

    Gostei muito até cerca de meio livro. A partir daí, tornou-se num polícial um pouco improvável.

  • Marta Mesquita
    2019-01-17 16:38

    Fiquei agradavelmente surpreendida com este livro. Está bem escrito, tem uma história que prende e personagens interessantes. Fiquei com curiosidade para ler mais obras de João Tordo.

  • Reginacm
    2019-01-12 18:47

    Às páginas tantas dei por mim a pensar que já havia lido / visto algo parecido antes... Um enredo de um filme de terror de fraca qualidade. Seria essa a intenção do autor?

  • André Belo
    2019-01-17 20:39

    Um excelente e envolvente thriller. João Tordo é exímio em narrar situações de tensão e crime, e o final não desilude. Um autor que irei certamente ter em conta.

  • Lu
    2018-12-26 19:03

    NOTA: Review sob a forma de dissertação, recheada de spoilers e escrita para quem já leu o livro.Se 'As Três Vidas' é Orwell em 'Mil Novecentos e Oitenta e Quatro', 'O Bom Inverno' é Kundera em 'A Insustentável Leveza do Ser' – chegando a aludir a ele várias vezes. Num livro muito (ainda?) mais policial do que o habitual – um autêntico page-turner; daria um óptimo filme! –, são explorados, para quem quiser ver, conceitos filosóficos importantíssimos: a leveza ou peso da alma, conforme escolhemos viver, e o que será melhor; as implicações de enfrentar a realidade, e a própria definição desta; a desmistificação da suposta beleza trágica da solidão – que, na verdade, como o narrador compreende enfim, não existe. Em 'O Bom Inverno', os balões soltos simbolizam o desprendimento, a “leveza do ser”; a solidão, egoísmo e recusa do amor que permitem a libertação – escolha “defendida” por Bosco e, suponho, ambicionada também por Don (não sei se, na prática, lhe faria jus pleno; é uma personagem simbólica, que nunca chegamos a conhecer bem). Mas será a melhor? Amor não é libertação, diz Bosco; amor é peso, é a prisão final, porque nos agarra às coisas: porque nos faz, simultaneamente, esquecer a mortalidade e temer a morte. A vitória está no desligar do ideal romântico, no recordar de que cada homem é, invariavelmente, uma ilha finita: nesse egoísmo se perde a fé, a inocência, o respeito pela existência e, consequentemente, o medo da morte. No final da história, esta metáfora é levada ao extremo quando Nina, por amor a Vincenzo, tenta irracionalmente salvá-lo, perdendo com isso a própria vida – quem se liberta, ironicamente pondo em prática a filosofia defendida por Bosco, são Elsa e o protagonista, apesar de este último, ao contrário do que seria compatível com o jogo de significados, estar no processo de encontrar de novo peso humano na sua vida, e não leveza.Sentir é peso, é fé na vida e na imortalidade, e é medo de as perder – é consequente irracionalidade. Desligar é leveza, é cinismo e perda de fé, é cabeça fria perante a ideia inevitável da morte, é libertação do medo. No entanto, subindo, leve, no balão, o protagonista parte rumo a um recém-encontrado peso, ou em busca deste. Tudo isto é irónico e paradoxal – partes haverá que parecem contraditórias –, mas, mais importante do que isso, é um excelente ponto de partida para a reflexão.Adorei 'O Bom Inverno', por reunir duas vertentes extremamente aliciantes da literatura: a indução de avidez e a fluência que tornam um livro em algo que não conseguimos pousar, e que tão difíceis são de atingir com qualidade, e o tom persistente de filosofia, filosofia essa aqui baseada em conceitos que me dizem muito – de inspiração, como referi, na obra-prima de Kundera, que tanto me fascinou no final da adolescência e que marcou para sempre a minha vida.Para variar, nunca se descobre a identidade do assassino: esta ausência de respostas para o enredo é comum no que João Tordo escreve, assim como os finais ambíguos, quase anti-climáticos. Mas este livro também é sobre o acto criativo de escrever – também por isso gostei tanto dele –, e, na apresentação de apenas uma das muitas possíveis versões dos factos, uma que se admite inventada e ficcionada, é um hino à alma do escritor, à forma como este ajusta a realidade à sua medida, mexendo os cordelinhos que lhe apetece, quando e como quer. No fundo, e tal como o narrador reflecte em várias instâncias, a verdade não interessa, porque não existe: existem pontos de vista, e as verdades que construímos para nós, sejamos escritores ou não. A não-exposição de uma versão definitiva dos factos mostra-se, então, pensada e deliberada, propondo-se ensinar uma lição.De várias formas, e à superfície, uma leitura muito mais leve (passo a irónica expressão) do que o habitual em Tordo – mas, definitivamente, e por todos os motivos expostos, uma que se encontra perto do topo da minha ordem de preferências dentro da sua já muito respeitável obra.

  • Margarida
    2019-01-10 13:57

    Confesso que estava à espera de mais. Por diversos comentários sobre os seus livros, os prémios recebidos pelo autor, por entrevistas que vi dele, fiquei curiosa por conhecer a sua obra. Este livro tinha-me interessado pela perspectiva de um escritor que é suposto estar a escrever um livro fechado em casa e que enfrenta a angústia do papel branco, que segundo consta atinge muitos escritores, e acaba por não escrever nada.No entanto, isso é o início da história. O enredo vai muito para além disso. A escrita é de alguém que domina a língua portuguesa e que sabe como escrever. Apesar de ter gostado de ler o livro, não me cativou. Não me deixou arrebatada.A história descamba para uma espécie de thriller grotesco em que todos são suspeitos de homicídios e ao mesmo tempo presumíveis vítimas no futuro. Pelo meio da narrativa, existem alguns momentos mais metafísicos, em que o narrador e a personagem Bosco falam da essência do ser humano, da sua natureza e da forma como encara a existência terrena. A reflexão sobre a forma como o ser humano reage às situações, como a sua personalidade e o optimismo/pessimismo com que enfrenta a vida condicionam as situações que vive parece ser uma das partes mais relevantes da obra.No final, acabo por não saber em concreto quem cometeu os crimes, se foi a mesma pessoa ou não, se foram as que foram apontadas no depoimento do narrador ao "justiceiro" Bosco... nada me convenceu e as dúvidas persistiram.Apesar desta obra não me ter maravilhado, não consigo dizer "Não gostei" e mantém-se a curiosidade para conhecer outros textos deste autor.

  • Gláucia Renata
    2019-01-03 15:39

    O livro é um pouco semelhante ao primeiro que li dele, As Três Vidas, mas aqui há um toque de humor e sarcasmo. O autor mantem sua característica de leitura ágil e rápida mantendo o clima de suspense até o final. Uma das personagens do Três Vidas aparece aqui mas não dá para se considerar que seja uma continuação. O livro é muito bom sem chegar a ser excepcional. Tem bons diálogos."Não existe pior mistura de sentimentos neste mundo do que o ciúme, a inveja e a admiração; é uma trindade tão perigosa que pode levar um homem a ascender ao Céu ou a lançar-se de um penhasco até ao mais profundo dos Infernos." "Não te parece que é a mesma coisa? Meter um homem na prisão por discordar, ou violar uma rapariga? São duas maneiras de remeter alguém ao silêncio." ""Estou só a ser realista." "Então reza para que o teu realismo não seja real. Ou vamos passar uma longa temporada no inferno." ""Artista... É uma palavra fácil, não te parece? Serve para tudo e não serve para nada."""Ouve lá, estou a ter uma ideia bestial." "As famosas últimas palavras antes de um desastre iminente." ""Livre-se da bengala", disse, em tom paternalista. "O médico da televisão tem uma", argumentei. "E também tem fama, dinheiro e idade para ser seu pai"." "Adoremos o Inverno, pois é a Primavera dos gênios. Pietro Aretino."

  • Jgsimoes
    2019-01-09 21:06

    João Tordo escreve O Bom Inverno à semelhança de alguns autores clássicos e internacionais do Mistério. A sua relativa originalidade não traz à mente muitas obras das mesmas honras - antes de tudo temos o tema principal em questão. O escritor problemático e viajado na personagem principal é o cliché imediato, desenvolve uma relação sexual com a femme fatal e acaba por ser o Herói. Até aqui tudo normal. A originalidade surge com o tema claustrofóbico em cena, da casa fechada e da variedade de personagens em mão. Tordo descreve cada uma delas com um pincel diferente. As suas ligações são ténues mas as suas inspirações são visíveis. Ao modelo dos ligeiros estereótipos, cada uma delas traz o seu sabor à obra de modo a que a leitura seja, no mínimo, heterogénea. Presos numa casa no meio do bosque, rodeados pelo desconhecido e aliados por ocasião, cada um deles cresce assim o espírito de sobrevivência característico de um qualquer filme Americano. Separados por personalidade e nacionalidade, é da situação perigosa que nascem os laços, mesmo que momentâneos, que vão levar cada uma delas à salvação ou a um destino terrível vindo das entranhas mentais do autor. Um romance de acção recomendável, de leitura fácil mas de seguimento e desfecho sem o esplendor a que a narrativa nos habitua.

  • Ângela Serrão
    2018-12-23 15:49

    Vi este livro à venda no Continente e fiquei intrigada - já tinha ouvido falar de Tordo e pareceu-me um autor a investir, que realmente iria gostar dos seus livros; contudo, não quis arriscar......Até que,no mesmo dia, fui à biblioteca municipal e vi-o lá! Achei que não podia mesmo desperdiçar esta oportunidade e requisitei-o logo, ansiosa por devorá-lo.Confesso que houve um pequeno choque inicial; a verdade é que não sabia muito bem com o que contar e a sua escrita surpreendeu-me tanto pela positiva, fiquei maravilhada. Penso que o maior choque foi mesmo a forma como abordou uma questão tão importante como a existência humana. João Tordo apresenta-nos um leque de personagens tão reais, únicas e diversificadas que, mal terminei o livro, tive de consultar o google pois pensei que talvez existissem! Consegue prender-nos constantemente - se não for pelo enredo, definitivamente será pela beleza das suas descrições. É um livro maravilhoso que, inicialmente, pareceu-me como que um monólogo sobre como os humanos se resingam à sua qualidade de pessoa e que, lentamente, termina num thriller cheio de ação e emoção. Definitivamente, voltarei a ler algo deste autor!

  • Storm Rider
    2018-12-31 18:48

    Para ser sincero até o livro chegar verdadeiramente ao foco da história tinha grandes espectativas, mesmo após a morte de Don o escritor foi capaz de manter a minha atenção agarrada, porém, à medida que a história se desenrola a partir daí o livro perde parcialmente, quase na totalidade o seu encanto. Li-o até ao fim para ver que o final era tal como eu tinha previsto e no entanto muita coisa fica por explicar, o que fez Olivia juntar-se a Bosco? Como foi capaz Bosco de travar o carro de Don que tinha sido conduzido por John? O livro reflecte bastante sobre o peso da vida porém creio que o escritor só expressa abertamente essa refexão quando ele(ou o seu personagem) tem que enfrentar Bosco. É um livro que prende o leitor acabando por o desiludir no fim, tem o seu encanto pois, o leitor com sua imaginação consegue, graças à enorme descrissão feita pelo escritor, facilmente colocar-se no seu lugar e visualizar o que o escritor narra (por exemplo a grande sala de Don que tem no lugar do chão um enorme aquário embelezado pelas claras lampadas escondidas na areia).

  • António Ganhão
    2018-12-27 19:01

    Um personagem narrador arrasta a sua decrepitude ao longo do livro. Trata-se de um personagem que cultiva “uma indisponibilidade para tudo”, um homem que se confessa ter sucumbido ao “apelo da fraqueza”, embora atraiçoado pelos diálogos que o revelam interessado em defender os seus pontos de vista. Como diz um outro personagem, podemos gostar dele, mas não o invejamos.Junta-se em Saubadita a um grupo de improváveis companheiros, vivendo todos sobre a sombra omnipresente da ausência de Don Metzeger, um rico e influente produtor cinematográfico. Acabam todos por fazer parte de um ritual sacrificial, cercados e abandonados numa “ilha” da qual não existe fuga possível.“Só então é que uma lágrima se permitiu descer-me pelo rosto. Uma única lágrima, solitária; uma lágrima sem futuro e sem desejo. Uma lágrima cobarde, que voltara costas às outras lágrimas.”Ler mais aqui

  • Eloisa Louceiro
    2019-01-12 14:51

    Encontro três fases neste livro:A fase 4****: um escritor com problemas existenciais conhece gente muito maluca e faz umas maluquices, enquanto imita o Dr. House.A fase 3***: sem que se preveja, o livro transforma-se num policial à lá Agatha Christie, interessante e enigmático q.b.A fase 2**: gradualmente vemos a narrativa transformar-se num filme de terror presumido que aparentemente nos quer dar uma lição, mas que não chegamos a entender bem qual é, porque não entendemos as motivações de certas personagens.E não é que eu não goste de cada parte por si só, mas isto tudo misturado chateia-me um bocado. Além disso, o final parece apressado, até aposto que o editor disse ao senhor João que ele não podia passar das 290 páginas, e ele, como os meus alunos fazem, colocou aquele resumo todo na última página. Não aposto nada. E daí, talvez...

  • Maria
    2019-01-04 17:05

    O Bom Inverno foi lido há cerca de um mês, numa altura em que estava de férias. Depois disso deixei a opinião para depois, para depois, porque não sei muito o que dizer acerca deste livro.Gosto de João Tordo, gostei dos últimos livros que li dele, mas este... não foi nada o que estava à espera.Apesar de várias críticas positivas em relação a O Bom Inverno não achei nada de especial a sua leitura. Achei até um pouco morto e monótono.O narrador é um escritor problemático e hipocondríaco. Frustrado pelo insucesso da sua obra literária e quase na falência decide aceitar o convite da sua editora e partir a Budapeste numa espécie de conferência que reunirá escritores de diversos países. Opinião completa em: http://marcadordelivros.blogspot.pt/2...

  • Alexia Moon
    2019-01-07 14:49

    Achei este livro bastante interessante. Tive de lê-lo para o Contrato de Leitura do 12º ano de Português, recomendado pela minha professora. Gostei bastante da forma de escrita do autor e como ele deseja criar uma ligação com o leitor e não apenas descrever os factos como são. As notas de rodapé e as diversas intervenções da personagem principal acerca do que se passa, incluindo os pensamentos e opiniões. Foi algo a que dei bastante valor neste livro.A própria história em si não puxa muito pelo leitor, é mais a escrita e a forma como o autor se expressa que nos faz ter vontade de ler mais e mais e nos prende às páginas.É um livro bom e que recomendo. Creio que este autor virá a ter (ainda mais) sucesso :)

  • Ana
    2019-01-17 14:45

    Comecei por me irritar muito com o livro, pq parecia inicialmente cópia de um outro, "O fardo do amor", do Ian McEwan: balões, irritantemente descritivo da história que viria seguidamente (detesto, falarem de algo q ainda o leitor n conhece). Depois, insisti e fui lendo. Lê-se bem, é bem escrito, tem realmente reflexões que, a propósito da história, a extravasam e ultrapassam para questões genéricas da vida, chamemos-lhe "existenciais". Porém, essa intenção pareceu-me não estar assim tão bem definida ao longo do livro (talvez por não o ter lido de forma contínua, não sei…), e talvez por isso o meu deslumbramento não ser grande.